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Parkour, e o incentivo

18 out

Estava conversando com o Lukinhas “Literaly”, sobre uma discussão relacionada a adição de competições, na definição acrescida no dicionário ingles Oxford sobre Parkour, então resolvi fazer um texto explicando todo meu ponto de vista sobre o que conversamos, aqui vai.

Meu ponto nesse texto não é dizer o que é certo ou o que é errado, mas ajudar a entender  o comportamento humano, e que alguns querem competir, outros querem uma faixa preta, outros querem ter 1 milhão de views e “joinhas” no youtube. Tudo isso tem um motivo único.

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Seres humanos são guiados por instintos, e nossos instintos respondem automaticamente a recompensas, normalmente chamado de “incentivos“.

Parkour é uma arte linda e complexa, que pode demorar alguns meses ou vários anos para se “masterizar“, e o tempo que vamos demorar para aprender não depende apenas da quantidade de tempos que passamos treinando, como sabemos, cada ser humano tem seu tempo, sua genética, e sua habilidade para determinados tipos de coisas, nem todos aprendemos tudo da mesma forma com a mesma velocidade.

Parkour por sua vez é uma atividade com um altíssimo numero de desistentes, conheço zilhões de pessoas que começaram treinaram um determinado tempo, e mesmo ainda apaixonado pela atividade, simplesmente não se sentem estimuladas a saírem para treinar, e acabam deixando de lado a prática. Pela minha experiência, quanto mais rápido a pessoa se torna “habilidosa” dentro do Parkour e se destaca por um “talento natural”, mais rápido essa pessoa vai sentir vontade de parar, pela falta de “desafios”.

Todos nós gostamos de dizer que devemos treinar por nós mesmos, mas como disse ali em cima, nossa natureza acha que isso não é o suficiente por isso acabamos procurando algum tipo de recompensa em tudo. Algumas pessoas procuram recompensas a longo prazo, continuam treinando porque demoraram anos para conseguirem as habilidades que possuem, e valorizam isso muito, então sua motivação é preservar o que deu tanto trabalho, outros conseguem treinar simplesmente pensando em saúde, e bem estar que o treino proporciona. Todo o resto precisa de mais que isso.

Numa comparação não muito parecida temos as artes marciais.  Dentro das artes marciais, as pessoas permanecem treinando por três motivos: Titulos, Competições, Saúde/Bem Estar. Muitas pessoas continuam treinando buscando suas graduações, e isso faz com que a pessoa tire 1 a 2 horas do seu dia, todos os dias, e vá até uma academia treinar e aprender alguma coisa. Outra fatia considerável é formada pelo pessoal que gosta de competir, se sentem desafiados, e treinam normalmente 5x mais do que as pessoas que treinam ou por saúde, ou por graduação, o incentivo dele é maior, uma medalha de ouro (??).

Uma outra comparação é quanto a graduação: Artes Japonesas quando eram apenas praticadas por militares, ou por guerreiros pessoas focadas no treinamento e no aprendizado das técnicas possuíam apenas duas graduações: Faixa Branca ou Faixa Preta. Com o passar do tempo foi desenvolvido o famoso sistema de cores(Jigoro Kano, Judo), influenciando por exemplo o taekwondo, que instituiu oficialmente quando trouxeram para o ocidente onde o numero de “cores” subiu de 4 para 10. Os ocidentais precisam ver para continuarem motivados é o incentivo que conta, sempre.

Em tudo que fazemos na vida fazemos em troca de incentivos, e no Parkour não possuímos nem competições, nem graduações, o que acaba afastando os praticantes menos assíduos da prática por não terem como ver sua evolução, mensurar isso de alguma forma, e não existirem competições oficiais, onde pessoas treinam para fazer parte de uma seleção, competir um campeonato regional, e quem sabe passar na seletiva para o mundial.

Não to dizendo que é certo ou errado, mas que o aparecimento de competições, e graduações é um caminho muito provavel para o parkour, para manter a pessoa treinando por mais tempo ou simplesmente por conseguir fornecer um objetivo palpável a curto prazo. Para alguns ser forte, ter saúde, e possuir a habilidade de ajudar as pessoas não é o suficiente

Depois falamos mais sobre isso.

Abraços

Parkour, O Treino para Iniciantes

24 set

Foi difícil mas achei, como falei no outro post gostaria de filmar meu próprio material, mas como não posso esperar o mundo acontecer, e quero que no final a informação seja disseminada, resolvi procurar um bom treino que sirva de exemplo para iniciantes copiarem, e seguirem.

O Vídeo abaixo representa exatamente o que iniciantes devem fazer. É um video nitidamente sem exageros técnicos, tudo muito básico e simples, executado de uma forma razoavelmente boa, e com uma técnica que ajude o iniciante a se identificar.

blah

O bambu chinês e seu crescimento

23 set

O bambu chinês e seu crescimento

Pensando a respeito de nossas ações na Movimente, acabei me deparando
com um texto sobre o peculiar crescimento do bambu chinês.

Após sua semente ser plantada, apenas poderemos ver o lento
desabrochar de um pequeno broto a partir do bulbo. Durante
aproximadamente 5 anos o crescimento é invisível e subterrâneo. Mal se
imagina que uma raiz maciça e fibrosa, que se estende na vertical e na
horizontal, está sendo formada.
Mas no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Esse fato é relatado pelo escritor Stephen Covey, que compara essa
peculiaridade a coisas de nossa vida. Da mesma forma que ele fez,
pretendo comparar esse fato a nossa evolução, seja no parkour ou em
qualquer campo de nossa vida.

Se hoje estamos nos dedicando, trabalhando, esforçando, investindo
nosso tempo em algum projeto sem ver o crescimento que gostaríamos, é
porquê o nosso quinto ano ainda não chegou e uma base sólida e firme
está sendo formada. Se agora não vislumbramos nosso crescimento
devemos continuar persistindo e nutrindo nossos projetos. Quando o
momento do crescimento exponencial chegar a base estará pronta para
resistir aos ventos. Ai sim virá a esperada mudança.

Com isso lembrei de uma frase de não sei quem, que vi não sei onde:
A paciência é uma arvore. Poucos conhecem o doce sabor de seus frutos.

Treinem e façam tudo em suas vidas com paciência.

Treino de Força para o Parkour

19 set

Eu não consegui ainda dar continuidade aos episódios do Minuto Parkour, e nem filmar alguns exercícios de forma organizada como eu queria. Comprar uma câmera é uma das minhas prioridades próximas para poder continuar o projeto do Decimadomuro, se alguém quiser fazer caridade, sinta-se a vontade :D .

Mas como não podemos deixar o barco afundar, procurei um vídeo que desse para ilustrar bem como um bom treinamento de Parkour em ambiente aberto deve ser, e que pode ser muito divertido, e encontrei esse vídeo que muitos dos Tracers mais antigos já devem ter visto, mas vai ser um prato cheio para quem está começando e não sabe muito bem como fortalecer.

Os exercícios são de variados níveis técnicos, e obviamente devem ser adaptados e mesclados junto com a capacidade de cada um.

O video está em ingles, mas não representa muita coisa porque o que importa são os exemplos práticos, os comentários são pouco relevantes. e qualquer dúvida já sabem, e-mail-me!

Abraços

blah

Que c’est le Parkour?

23 ago

Que c’est le Parkour?

Recentemente uma discussão na comunidade Parkour Brasil do Orkut, fez ressurgir o debate sobre qual critério usamos para definir o que é Parkour, sendo eles o criador David Belle, até o que as pessoas que nos vêem de fora acham que estamos fazendo.

É muito complicado entrar em uma discussão desse nível sem ferir alguns conceitos alheios, qualquer uma das posturas que você tomar pode bater de frente com a opinião de outra pessoa que assim como você tem uma própria história dentro do Parkour, e  como todos nós ajudamos a criar isso que existe hoje, cada um dos pouquíssimos praticantes que existem por ai são parte integrante dessa criação, dia após dia recriamos o que David Belle fez, recriando o que seu pai ensinou, e dessa forma todo dia o Parkour se reinventa, e vai ser assim por muito tempo.

Mas o Parkour tem uma base, uma base solida, baseada no utilitarismo militar e na habilidade corporal. a plena capacidade de sair de situações de emergência e se preparar para o hipotético,  o que pode um dia vir a acontecer, ou pode nunca acontecer. Fomos doutrinados por histórias e documentários à estarmoa preparados para tudo, e para nada, sermos super-herois incrivelmente fortes simplesmente pela possibilidade de um dia precisar dessas habilidades, motivados apenas pela semente de uma idéia.

O que David Belle criou foi um objetivo ideal, esse objetivo de atravessar obstáculos foi batizado de Parkour. Uma modificação da palavra Parcours para demonstrar eficiência, e ausência de elementos desnecessários.  E mesmo que recriemos todos os dias a prática, enquanto seguirmos esse espirito, e essa idéia isso será o Parkour, criado por David Belle, Inspirado por seu pai Raymond, com Bases do utilitarismo herdado do Método Natural. Mas sempre o Parkour de David Belle.

Várias outras pessoas fizeram parte dessa história e todas tem seu crédito e seu mérito, mas devemos preservar a idéia do Parkour de forma que não se modifique a estrutura da prática, uma atividade que já nasceu excluindo o desnecessário e o inútil, e impondo sua agressividade em cima do próprio nome, é constituída por um aspecto físico e mental muito forte, mas que deve ser preservado para que sua base original não seja alterada, e assim deixe de ser Parkour, para ser Parcours, ou qualquer outro nome menos agressivo, menos eficiente, e menos Parkour.

Programa de Embrutecimento 005

26 jul

Depois de uma semaninha de folga estamos aqui para mais um desafio do nosso programa de embrutecimento do Parkour.

Desta vez vamos utilizar da quadrupedia em escadas, assim como na foto do post, subindo as escadas de quadrupedal com as pernas viradas para cima, e o braço para baixo, como mostra a seta foto.

Como obviamente não podemos definir um padrão em tamanho de escadas por cada um fazer em um lugar diferente, e nem definir um tempo não é justo porque o tempo passa você fazendo ou não, decidi colocar o desafio em números de degraus, para que se vc fizer em uma escada pequena ou grande vá fazer a mesma quantidade de exercício.

Quadrupedal “invertido” Na escada – 500 Degraus

Não esqueça de discutir o desafio na Bodyweight Culture!

LEMBRANDO QUE É PARA SUBIR E NÃO DESCER A ESCADA!

Melhorando a imagem do Tracer

8 jul

Lembro de um texto, aqui no decimadomuro mesmo, em que o Alberto comentava sobre a agressividade que há na imagem do tracer, já que andamos um tanto desarrumados/sujos/suados, sendo essa tal “agressividade visual” um dos fatores que geram preconceito quanto a prática.

É evidente que essa agressividade é algo inerente da cena do PK, e não
devemos nos preocupar em mudar isso, pois essa é nossa identidade que
vem se formando com o passar do tempo, mas certas atitudes colaboram
para que possamos ser mais facilmente aceitos pela sociedade. Vejo que
devemos adotar tais atitudes que acabam para “contrabalancear” os
fatores que chocam as pessoas.

Lembro de certa vez que li uma história sobre um homem idoso, que
procurava um lugar para se sentar e assistir os Jogos Olímpicos na
antiga Grécia. Tentando passar por várias alas, os outros gregos riam
dele, e alguns apenas o ignoravam, desprezando sua condição física. Ao
chegar a área onde estavam sentados os Espartanos, todos os espartanos
ficaram de pé e ofereceram seus lugares. O estádio passou a aplaudir a
iniciativa. Todos ali sabiam o que era correto fazer, mas apenas os
espartanos fizeram o certo.

Agora meu irmão, lembra daquela senhora de 60 anos, que pegou o mesmo
ônibus lotado que você estava (depois de um treino super cansativo)?
Lembra que ela foi a viajem inteira em pé do seu lado, enquanto você
curtia um som e reclamava após 1.000 landings? Lembra que você e todo
os que estavam sentados fingiram que ela não existia?
É assim que acabamos perdendo ótimas oportunidades
Pense, se “ser e durar” é um lema, a condição de “idoso ainda ativo”
nada mais é que um premio, merecendo todo tipo de reverência.

Programa de Embrutecimento

20 jun

Pessoal,

Eu e o Icaro Iasbeck conversando sobre a revitalização da comunidade Bodyweight Culture, e seu objetivo inicial, incentivar exercícios com peso do corpo, e incentivar a Brutalidade física para interessados e praticantes de Parkour(acredito que a maioria da comunidade)

A idéia é semanalmente postar uma “idéia imbecil” para ser seguida por cada um e que tende a se dificultar ao longo do tempo, para que todos os interessados acabem evoluindo junto. Pretendo junto desse programa, montar modelos de treinos “prontos” para cada um seguir caso não tenha um modelo próprio, e assim todo mundo embrutecer.

As metas serão postadas no Decimadomuro.com e consequentemente na comunidade. Não deixem de compartilhar suas opiniões, dificuldades e idéias com a gente.

Nesse domingo, nossa “idéia imbecil” consiste em fazer:

200 Flexões
100 Barras

e assim com o tempo vamos dificultando as tarefas!

Essa iniciativa se deu ao grande sucesso do episodio 5 do podkast com k, que trata sobre brutalidade, e treinos físicos, se você ainda não ouviu, ouça e inspire-se!

Abraços

Preconceito contra Parkour e Tracers?

28 mai

Quem nunca foi impedido de treinar em algum lugar? alguma área comercial? um prédio residencial? ou até foi hostilizado por alguém no meio da rua? Muita gente diz sofrer de preconceito por praticar Parkour, mas vamos entender direito isso…

Vamos aceitar, a sociedade está ai muuuuito antes da gente calçar nossos tênis e sair por ai subindo paredes, pulando dos muros, e equilibrando nos corrimãos das escadas, nós destoamos o cenário, e precisamos ter muito cuidado quando fazemos isso.

Temos o instinto de nos revoltar e berrar aos ventos que estamos no nosso direito de ir e vir, e que podemos estar ali utilizando o espaço tanto quanto as pessoas que estão apenas, nas passando – E SIM TEMOS ESSE DIREITO – mas devemos lembrar também que vivemos numa sociedade civilizada, e que nosso direito começa aonde o do outro acaba, todos temos nossas obrigações, e nossos deveres dentro dessa sociedade, e como Parkour nós somos os diferentes, então nós temos que provar que não estamos ali para fazer bagunça, e sim para nos divertir, treinar, e aproveitar o dia da nossa maneira.

Nos vestimos diferente, normalmente não estamos bem arrumados quando estamos treinando, nossas roupas estão sujas, nossas mãos quase preta, normalmente mesclando uma mistura de asfalto, poeira negra, e sangue. Nosso rosto pinga suor, estamos distante daquela correria que está acontecendo, não estamos nos preocupando com absolutamente nada além do que estamos fazendo, é como uma meditação zen-budista, um estado de espirito que encontramos através do treino, isso é o que sentimos, o que somos, mas as outras pessoas não sabem disso.

Se não tratarmos os guardas que reclamam da nossa presença com educação, seremos vistos como arruaceiros, que discutem com guardas, se não tratarmos os senhores mais velhos que vem reclamar do que estamos fazendo, seremos vistos como agressores de pessoas mais velhas, se sujarmos o lugar onde treinamos, deixando garrafas de água, papeis, sacos plásticos e embalagens  seremos visto como bagunceiros e nossa presença será sempre vista como hostil, ai sim, seremos marginalizados e existirá um preconceito contra a gente.

Temos que mostrar que somos educados, diferentes, que aceitamos críticas e que não nos perturbamos com broncas. Conversamos como adultos, e explicamos o que estamos fazendo, mudamos de local de treino se for necessário, não discutir, e não brigar deve ser uma prática comum no nosso mundo, só assim as pessoas nos respeitarão no futuro. Nosso visual durante o treino é agressivo, não demonstra poder aquisitivo, classe social, nível de escolaridade, e nem preocupação com a imagem. Somos facilmente confundidos com pichadores, usuários de drogas, e outras “tribos” que se reúnem em grupo pelo meio da rua, raramente pessoas ficam no meio da rua atoa.

Inicialmente pode não fazer diferença, mas num futuro isso se tornará o diferencial entre o Parkour, e outras atividades praticadas na rua, respeitar o próximo, com educação, e dando o devido espaço, cada um no seu lugar, cada um no seu jeito.

Respeitem as pessoas a sua volta, a gente precisa dar respeito, para receber esse respeito de volta. O Preconceito existe quando as pessoas não nos entendem, precisamos mostrar quem somos, e que não somos um problema para a sociedade moderna, e sim uma solução.

Abraços!

Liberdade e Conseqüências

24 mai

Existem coisas que entristecem, recentemente divulgou-se um belíssimo video com parkour limpo e seco, sem enfeites, mostrando todo potencial e eficiência que a prática pode mostrar, é simplesmente LINDO.
E dentre uma dessas comunidades onde o video foi disseminado eu vi um comentário que reflete totalmente meu medo em cima da aceitação de giros no Parkour, e que me fez lutar contra acrobacias anos e anos da minha vida, até ser um pouco radical e extremista eu diria, mas ninguém me ouviu na época.

Meu maior medo quando começamos a tratar  giros como Parkour foi, associar a prática diretamente aos movimentos ineficientes, e que com o tempo uma coisa acabasse sendo parte da outra mudando o foco do Parkour como foi desenvolvido. Os argumentos eram sempre que todos sabemos o ideal do Parkour, mas que durante os treinos não tem nada demais girar, e eu CONCORDO, mas quem está chegando agora não esta entendendo mundo bem do que se trata. Toda ação tem uma consequencia, e essa foi a consequencia da nossa Liberdade de movimentos.

Ao ler alguém questionando a falta de giros em um video lindo, com um Parkour simples, leve , e eficiente, vejo como o que era pra ser um “atrativo dos vídeos”, acabou se tornando parte integrante, e o que era pra ser normal, não ter giros nos videos, acabou sendo diferente e questionado. Acrobacias devem ser a “Pimentinha” do Parkour, só para sair da mesmice dos treinos, brincar com algo um pouco mais complexo, trabalhar um pouco da coordenação, mas nunca ser o objetivo dos treinos…

Ou você acha que os vídeos do Damian Walters realmente são vídeos de Parkour?

Que tal uma campanha, mais Parkour menos giros? (pelo menos nos vídeos).

Abraços

O video citado no post:

blah