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I’m back!

3 ago

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Como muitos sabem, em fevereiro de 2010 me lesionei treinando. Passado alguns meses, retornei ao treino, me adaptando a lesão.

Em março de 2011 operei meu joelho esquerdo e novamente tive que parar. Foi duro se sentir incapaz e solitário por um bom tempo. Mas hoje não vim falar sobre o “cair” (deixa isso para depois), mas sobre o atual momento, parte do “levantar”!

Após o partour 2011 eu pude respirar um novo ar e investir mesmo no meu retorno. No dia 1º de julho comecei a escrever uma espécie de “diário de treino”. As 3 da manhã do dia 09, me desafiei a treinar para um desafio pessoal (um dia será revelado) e comecei séries de flexões. No dia 18, apresentando a cidade para o Isaac Pereira (Parkour Fortaleza), vi-me frente a um passe muraille na medida certa! Venci a inércia e decidi enfrentá-lo. Após algumas tentativas eu estava muito cansado e tive que parar. Por fim creio que eu e o muro ficamos empatados, pois me fixei com uma das mãos mas não pude segurar com a outra para o climb. Mas apenas essa experiência, e a resposta positiva da perna operada, foram suficientes para me animar.

No dia seguinte, marcamos de nos encontrar no Pico Amarelo (Isaac, Berrin, João e eu). Me vesti para o treino como alguém que se prepara para um verdadeiro confronto. Me lembro bem que já estava
lesionado quando comecei a freqüentar o amarelo. E ver o pessoal fazendo strades (passadas) tão facilmente me deixava emocionalmente destruído. Cheguei, me preparei, escolhi o som no mp3, e enquanto esperava os amigos, treinei! Primeiro obstáculo vencido? Aversão a treinar sozinho. Corria e fazia pequenas fluências. Primeiro lento e depois, de forma bem gradativa, mais rápido e mais alto. Estava sentindo meu corpo e constatando “no
que regular a máquina”. A fluidez de outrora não era a mesma, claro! Mas de uma forma mais “bruta”, ali estava ela. Até que veio a primeira queda!

Pernas no chão e as mãos firmes, impedindo o impacto da cabeça e tronco no solo. Ainda na posição da queda, alguns segundos de silêncio e uma breve análise: Cai de uma forma bem incomum. Lateralmente e com as pernas bem afastadas. Como se não tivesse suportado o peso daquele landing lateral que usamos nas fluências.

Constatação: Observei claramente que a cabeça está num nível e o corpo está em outro. Além da perna operada responder muito mais lento aos estímulos que recebia no passado. Mas eu estava bem, nada de torção ou dor. Continuei nas fluências, com mais cuidado e por mais algum tempo, sem problemas.

Então decidi testar a impulsão. Para isso escolhi dois saltos de dédente que fazia facilmente mesmo lesionado. Depois de uma silenciosa concentração veio a execução de cada uma!

Constatação: Claro que a impulsão diminuiu mas esse não é o maior dos problemas. Senti que minha cabeça quer, a qualquer custo, proteger a operação. Logo, a confiança foi embora.

Depois de aproximadamente 30 minutos nisso, cansado, parei e aguardei os garotos. Quando eles chegaram eu não podia fazer nada! Sentia meu corpo retornando a um estado de nítida morbidez. Notei
isso e logo me concentrei no ritmo da música no meu mp3. Não importava como! Fosse andando, correndo ou dançando de zoeira com os amigos, eu iria me mover naquele ritmo! Não que tivesse que provar nada a ninguém, mas queria mostrar e dividir com eles parte das re-conquistas que vivenciei durante a tarde. E assim foi!

Chegada a noite, fomos para a 303 Sul e enquanto um grande grupo aproveitava o retorno do “círculo maldito” (um treino tradicional de Brasília), eu me voltava ao meu desafio pessoal das flexões. Executei 50 séries de 7 flexões por minuto, num total de 350 flexões. Sei que não é muito, mas estamos voltando e esse foi o brinde para fechar o dia 19 de julho de 2011.

Para os meus amigos leitores: A insistência e a paciência são partes integrantes da força de vontade!
Até breve!

O que te faz pular?

13 jul

O que te faz pular?

Tem aproximadamente dois anos que vou pelo menos uma vez por mês a um lugar onde eu sempre treino perto da minha casa. Desde que diminui meu ritmo de treinos perdi a coragem de fazer um Saut de Bras/Cat leap que sempre fiz com muita facilidade, inclusive quando “descobrimos” este salto eu fui o primeiro a fazer com muita confiança e sangue no olho.

Nesses dois últimos anos eu praticamente perdi a coragem para fazer esse salto, nunca tinha aquela vontade de fazer, nada me fazia pular daquele muro. O salto era de um muro para o outro no mesmo nível, nada de complicado, nada de difícil nisso. Eu simplesmente não me senti apto a fazer.

Enquanto eu parava para analisar o salto eu via minha mão escorregando do outro lado. Conseguia até sentir os cortes nos dedos causados pelas pedrinhas do muro chapiscado. Imaginava que era pesado demais para aquela parede, e que provavelmente o muro ia ceder quando eu segurasse do outro lado. Eu pendurava, balançava e testava tudo. Tentava me assegurar de era seguro e que não me machucaria. Pensava em todas as possibilidades de falha do salto, tudo que poderia dar errado, eu estava com medo.

Comecei fazendo de uma lateral poucos centímetros mais perto do que o salto que eu verdadeiramente queria fazer, mas nada disso funcionava. Passei quase dois anos com esse medo e pensando que não tinha motivos para fazer o salto, não valia o risco.

Nesse domingo fui ao parque com um amigo e acabamos treinando alguns saut de bras em outro ponto, então fomos para o salto que eu tinha tanto medo de fazer. Ficamos lá pensando e conversando. Então coloquei a meta de que faria aquele salto de novo em um mês. Voltaria aos meus treinos regulares, recuperaria minha confiança e faria. Ele riu de mim e disse “achei que faria hoje”.

Ficamos por volta de 30 minutos discutindo sobre o salto e os motivos que eu achava que não conseguiria faze-lo. Depois de muito conversar ele decidiu que tentaria. Fiquei feliz por ele tomar essa iniciativa e disse que provavelmente tentaria se ele tentasse. Eu não achava que ele iria tentar.

Fui lá para baixo ficar aparando a queda para caso acabasse dando errado. Ficamos lá um bom tempo e eu bem confiante de que ele não tentaria, e eu iria pra casa engolindo minha vergonha e meu medo, eu estava virando um bundão. No momento eu não estava racionalizando comigo mesmo o motivo de não querer fazer, eu só achava que iria me machucar.

Quando menos esperava, o Wendely saltou e a mão dele não fixou na parede e ele deslizou. Achei que ele não fosse tentar de novo. Subiu no muro, pensou por mais alguns minutos e saltou, agora conseguindo. Ficou brincando comigo, e então eu teria que tentar o salto como combinado.

Subi para avaliar a possibilidade, fiquei rindo falando que não faria. Perguntei até como eu poderia pagar o combinado de outra forma. Fiz todas essas brincadeiras de quando não temos culhões para fazer o que prometemos. Fiz alguns testes, pulei da lateral, desci e subi. Testei o muro e fiquei parado olhando para o muro por um bom tempo. Até que parei de rir.

Parei  para pensar de verdade no salto. Em como eu fazia tantos saltos antes e agora estava com medo. Em toda atitude que sempre tive, em toda coragem e sangue no olho.  Pensei em todos os treinos que fiz nesses oito anos e na capacidade física que tenho. Pensei em todo o preparo e quantas coisas mais difíceis já tinha feito. Parei para pensar que eu não conseguiria lidar novamente comigo mesmo.  Mais difícil do que lidar com os amigos fazendo brincadeiras, com um ralado ou uma queda, é a vergonha de não ter nem tentado. Quando percebi, estava novamente decidido a fazer o salto. Só precisava considerar algumas coisas e fazer, era isso. Sequei minhas mãos que já estavam suadas na calça, e tirei a poeira do tênis.

Enquanto respirava olhava fixamente para onde minhas mãos deveriam pegar, o suor já pingava e meu coração batia acelerado. De repente como de forma inesperada eu olhei para o outro lado e vi minhas mãos chegando, assim eu pulei.

Cheguei do outro lado de forma firme, os pés cravaram no muro e as mãos também, e em menos de um segundo já estava sentado no muro sorrindo, com a mente vazia e o coração limpo. Um sentimento de emoção e conquista que eu não me proporcionava através do Parkour há muito tempo agora tomava conta de mim. Nesses últimos dois anos que vim treinando esporadicamente só para não perder algumas habilidades eu tinha esquecido como eu podia me desafiar e me sentir bem com o parkour.

O que me fez pular foi não conseguir lidar com a vergonha, com o meu ego, comigo mesmo. Saber que foi vencido por algo que não existe e que está só na sua cabeça. Ao contrário da luta que você da a cara a tapa, bate e apanha, ganha e perde, sendo que isso não depende só de você é uma coisa. Perder para você mesmo é algo que eu realmente não soube e não sei lidar. Isso é o que me empurra, é o que me faz continuar.

Conforme ficamos mais velhos o nosso medo aumenta. Cada erro pode significar uma perda maior. Um braço quebrado representa faltar no trabalho e o risco de perder o emprego. Qualquer errinho pode representar todo seu mundo indo por agua abaixo. O que me faz pular é a confiança nas minhas habilidades e no meu treino, a vontade de mostrar pra mim mesmo que sou capaz e que eu posso.

Pessoas têm motivos diferentes para fazer as coisas. Quando você está lá no alto daquele muro pronto para fazer um salto perigoso que nunca fez antes, o que te motiva? O que faz você pular?

Depois que fiz o primeiro salto, fiz várias e várias outras vezes, como se fizesse isso desde sempre, sem medo e sem preocupações. Vai entender. O Wendely sempre repetindo “quem vê você fazendo agora, não acreditaria no que eu vi”. O do vídeo obviamente não é o primeiro salto, mas é para ilustrar o dia e o momento.

Relatos sobre o Partour

12 jul

Relatos sobre o Partour

Todos certamente sabem que foi realizada a 3ª edição do Partour Brasília nos dias 23, 24 e 25 de junho. Agora poderia iniciar uma postagem que falasse sobre a programação e seus pontos positivos e negativos. Mas creio que algo assim pode ficar para depois, pois mais importante é trazer aos olhos dos praticantes os verdadeiros “presentes” que obtivemos. As verdadeiras pérolas que encontramos no encontro. Vou resumi-las em duas palavras, falar rapidamente sobre elas e aguardar uma oportunidade futura para o aprofundamento sobre cada uma separadamente.

Sinergia: Entendo que essa é a palavra que devemos buscar num encontro.

Observar uma grande quantidade de pessoas envolvidas naquilo por um ponto em comum, alinhando seus objetivos e aprendendo com o outro. Isso é simples de ser visto num encontro, e esse é o ponto máximo. Todos que estiveram no partour 2011 vão se lembrar do momento em que ascendemos uma fogueira, tomamos caldo e nos divertimos ao som do violão. Esse foi o ponto máximo que representa o encontro, pois o pico onde dedicamos 1 ano de trabalho e litros de suor se tornou palco para algo maior que a simples movimentação. Algo repleto de companheirismo e diversão. Ali sim, as vontades, objetivos e desejos estavam alinhadas no mesmo rumo! Não posso deixar de citar o pessoal de Goiânia e nossos amigos de Belém, que tornaram esse evento algo muito divertido e despretensioso.

Materialização: Chamo de “materialização” o momento em que pegamos algo não-físico e o tornamos físico, concreto, palpável, e passamos a dar valor nisso!

Quando você faz séries de algum movimento, pode contar mentalmente, ou materializar essas séries em pequenas pedras, gravetos, etc. É intrínseco da nossa cultura como tracers os “rolos” que fazemos com nossos objetos pessoais (tênis, calças, blusas ou quaisquer outras coisas). Durante o evento, os rolos ocorreram constantemente, mas em alguns momentos, esses objetos materializaram o parkour! Não eram como produto de escambo, mas objetos de respeito e honra, seja por quem usou, ou pela história que carrega. O momento culminante disso foi logo quando o evento terminou, estávamos na 214 norte rumo ao aeroporto e começamos a trocar presentes que, aparentemente, não tinham valor algum. Eram calças rasgadas, blusas de frio velhas, camisetas, etc. Nesse momento éramos 8 pessoas de 3 estados diferentes que conviveram por alguns dias sem pretensão alguma, e no ar havia uma emoção e consideração.

Indico a vocês, amigos leitores, que provem disso! Valorizem algo e treinem com um objeto. Materializem suas histórias, sua dedicação e seu suor nele! E busquem alinhar seus pensamentos objetivos com os outros. E quando encontrarem uma pessoa que mereça a honra de carregar esse objeto, promova a sinergia! Conte as histórias em que esse item o acompanhou, fale do valor que ele tem, e entregue o item nas mãos dessa pessoa! Caso receba algo, dê valor como honra a pessoa que lhe deu!

Para completar, promova a sinergia com as pessoas e materializem esse estado de espírito, não só em objetos e presentes, mas em consciência e atitude!