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E assim começamos..

4 jun

Me seguro muito para não escrever sobre os treinos e sobre tudo o que passamos no começo do Parkour por aqui. Acho que pode soar mal interpretado, exagerado e até mesmo egocêntrico. Sofremos muito, e aprendemos muito com tudo o que fizemos. Cada gota de suor que caiu naquele chão contribuiu para tudo o que sou hoje em dia. Cada um que ralou a mão naqueles muros contribuiu para a força que tenho, determinação que adquiri, e todo o conhecimento que o Parkour me trouxe, relatos como esse que se segue, me fazem lembrar de como somos fortes.

O André, foi um dos bons amigos que o Parkour me trouxe, e com a vida cada vez mais corrida nos vemos apenas em encontros casuais pela rua, mas sempre conversamos com um respeito e carinho enorme. O André me mandou esse texto e fiquei bastante comovido com o conteúdo, me trouxe várias lembranças maravilhosas, e acho que seria injusto não compartilhar isso com vocês.


Esta é uma mensagem e agradecimento de quem iniciou e está até hoje no caminho do Parkour.

Meu nome é André (Ninja), e alguns dos  antigos aqui de Brasília me conhecem, sou de Sobradinho – Df e treino desde início de 2006, sempre influenciado pelos filmes(Principalmente Jackie Chan, nada a ver com PK, mas só aquilo já achava demais!). Ví uma reportagem sobre essa “prática” pulei da cadeira dizendo: “CARALHO! É ISSO! É ISSO AÍ! as  TÉCNICAS que o JACKIE CHAN  FAZ!”  (Nada a ver, olha a falta de informação na merda que dá ). Após tentar achar incansavelmente informações corretas sobre Parkour que na época eu não sabia que era este nome, nem tinha idéia quem e o que era David Belle, Foucan,Yamakasi, Método Natural e etc.

Depois de procurar e não achar nada direito eu consegui iniciar os treinos graças ao contato no Orkut do pessoal de Sobradinho -DF que estava iniciando também. Nosso primeiro “treino” foram apenas Landings, saltos de precisão e mais Landing, coisa besta, ridícula. Foram 50 landings de uma altura de 1,50m e depois os saltos de precisão e depois mais landings. No final eu falei: “Só isso? É isso? Se for assim vai ser tranqüilo”. Eu já com 7 anos de artes marciais nas costas pensava que aquilo não ia fazer nem cócegas, MEU IRMÃO, no outro dia eu acordei QUEBRADO! PQP! Eu falei: “Mas que porra é essa bixo? Aqueles saltinhos acabaram comigo! Como pode! Sempre treinei muito, trabalhei muita perna, corri, lutei, 7 anos de artes marciais! como pode!? ”. É diferente, a musculatura trabalhada é diferente! A intensidade, é totalmente diferente de qualquer outra atividade,  fiquei indignado, e ao mesmo tempo louco para treinar mais, para mim tudo que me faz ficar quebrado, acabado, me põe no chão e me faz ficar mais forte é digno de ser treinado e vale a pena.

Depois de saber o que era essa prática vendo alguns vídeos na internet e algumas informações eu percebia que aqueles saltos, pulos, movimentos, o cara para fazer isso precisava ser forte, para aguentar os impactos e a intensidade dos movimentos. Com o pouco que eu tinha(na verdade, NÃO TINHA NADA!), vi que precisava de mais conhecimento, e de alguém bem mais experiente e que pudesse me explicar realmente o que era Parkour e como treinar. Depois de saber onde encontrar tive a sorte e oportunidade de treinar com os melhores caras que conheço, sou grato a tudo que aprendi(e aprendo até hoje) com eles. Iniciei os treinos com o Beto(Alberto), Alex Pires, Bernardo, Breno, Santigas, Alan. Lá nos treinos eu sentia a essência de um treino. Sem frescura, pesado, puxado, desafiador, que te colocava no limite. Um dos vários treinos que tínhamos a exemplo, era o famoso “círculo maldito”, eu pensava sempre “CARALHO! ESSE É O TREINO! É ISSO QUE EU QUERO!”. Sempre que eu voltava de um treino ou da 308 ou 303 sul, no outro dia eu acordava quebrado, morto e querendo mais!

Como eu já vinha de uma doutrina de arte marcial, de disciplina, respeito, muito treino, sem moleza. Eu me identifiquei muito com o Beto(tenho muito respeito por esse cara, devo muito a ele, é umas das únicas referencias de responsabilidade que eu indico para quem me pergunta. O Beto que também vinha de uma linha assim, sempre focado, sério, os treinos  tinham que ter disciplina e ralação total, e nada de moleza, preguiça e desculpa.  Não tinha espaço para isso nos treino, coisa que eu concordava(e concordo até hoje, claro que mais brando, respeitando um pouco os limites dos outros). Era lei da natureza mesmo, sobrevivem os mais fortes(tanto física quanto mental) e os que não aguentavam eram “eliminados” . Mesmo que fosse um pouco desigual com as outras pessoas, isso forçava os que treinavam para valer a ter uma evolução muito grande. O negócio era ser bruto mesmo, e era o que eu queria! Ficar mais forte! Bruto! Para aguentar o tranco dos movimentos, ir mais longe e mais rápido.

Ultimamente ouvi a todos os “PODKAST  COM K” e o melhor foi sobre a BRUTALIDADE , que era(e ainda é) desse jeito em alguns treinos. Lembro que quem me ensinou sobre como ser bruto foi o Beto, e claro o Alex Pires, lembro uma vez que estávamos treinando “saut de bras” e o Alex estava comandando o treino, eu praticamente não falo durante o treino, para mim treino é hora de treinar e não de falar. Mas naquela hora fui explicar para outro iniciante sobre a pegada do movimento e o Alex me pegou na hora que eu estava de pé falando de técnica. Ele chegou perto de mim e falou: “Ow  já que você tá falando de técnica aí, sabe uma técnica boa para você ficar forte?” eu pensei : “Caraca, quero saber”, e falei para o Alex: “Sério? Que técnica é?, Fala aí”, ele falou bem sério e rápido: “treina mais e fala menos!” e saiu. PQP! Era uma brutalidades assim, e eu saiba que o negócio era esse mesmo.

Lembro que na época estava a sensação do “Planche” lá na 308, nas árvores, quase todo mundo já conseguindo fazer o bendito do “Planche” que era um marco na época! O Beto ainda fazia por etapas! (faz tempo mesmo) fazia primeiro com um braço e depois o outro, ele fez uma assim para me mostrar. Daí o Alex chegou e falou: “quando vocês estiverem bons eu ensino a fazer isso” e já fez o “Planche ” com os dois braços e de uma vez só! E todo mundo: “Caralho! Que escroto!” Porra! O FDP já estava lá na frente do pessoal, em um outro nível, daí eu perguntei: “Caraca! Como se faz isso?” O Alex falou: “é fácil, SOBE!”. Eu falei: “Pô bixo, mas como eu faço para subir?”, Ele veio de novo e falou: “Bixo, Sobe! PEGA E SOBE!”. Daí depois de algumas tentativas frustradas fui no Beto e falei: “Ow Beto, como faço para subir com Planche?”, e para mim como o Beto já estava começando e já sabia como fazer eu esperava já sair do treino com alguma dica, daí o Beto falou: “Ah Véi! É fácil pega e SOBE!” ¬¬. PQP! Resultado, voltei para Sobradinho com isso na cabeça. Eu não ia parar enquanto não conseguisse fazer o “Planche”, fiquei 1 mês! praticamente todos os dias tentando fazer, treinava barra incansavelmente, e finalmente consegui fazer! Subí com um braço e depois outro! Depois voltei para 308 já para acompanhar os caras fazendo o bendito do Planche, depois do treino pesado, comentei  que já estava subindo com um braço e depois o outro. Daí o Beto falou: “Pô, muito bom, é isso aí! Agora você tenta fazer assim” e já subiu com os dois braços em um movimento fazendo o “Planche”! Caraca! O cara já estava lá na frente! E era isso que me estimulava! Eu chegava e via um novo movimento, técnico ou exercício, que eu ainda não conseguia fazer, voltava para casa, treinava, treinava e treinava até conseguir. Quando eu voltava já fazendo, os caras já estavam em outro nível, e isso força agente a sempre evoluir. Pena que não pude treinar todos os dias com ele, se não minha evolução seria estupidamente maior. Para os iniciantes que estão vindo agora, aproveitem a oportunidade de treinar com esses caras, vocês vão evoluir muito rápido!

Depois foi a hora de tentar o Planche completo. Tentei, tentei, e tentava de todos os jeitos e não conseguia. Ralei pra caralho. Depois em um outro treino qualquer na 303, já no final desse treino, só estava Eu, o Beto, Alan e mais um que não me lembro. Eu sei que conversando com eles, eu falei que estava treinando direto e não conseguia fazer Planche, daí o Beto me deixou tentando um monte de vezes sem conseguir e eles fazendo tudo. Eu pensando comigo: “como eles estão conseguindo??” no final o Beto deu aquela dica da jogadinha do joelho ou do balanço, e na segunda tentativa eu consegui! PQP! Foi tão tranquilo que não fiz quase nenhuma força, foi “fácil” porque eu já estava treinando e tentando há muito tempo! Se eu não estivesse ficado esse tempo todo treinando para conseguir sozinho eu poderia não conseguir mesmo com as dicas. Depois de comemorar falaram aquele antigo lema:  “No parkour para você conseguir fazer um, você tem que fazer no mínimo três e seguidas! Sem errar nenhuma entre as três”. Essa sensação é indescritível. Vencer algo que você está ralando e treinando pra caralho, só quem treina que sabe.

Treinar duro, sem frescura, indo além do limite, se desfazendo de qualquer fraqueza ou desculpa é importante. Essa brutalidade é importante. Lembro que várias vezes existiam os treinos noturnos, e eu VIBRAVA COM ELES! Teve uma vez em que fizemos um treino e um deles era o seguinte: “Serão 100 “Saut de Bras”, só a subida e SEM BRARULHO! Se alguém fizesse barulho, nós iríamos fazer mais 10, e todo mundo ia fazer! Era madrugada, qualquer raspada no muro fazia um puta barulho, só quem quer ser melhor vem treinar nesses momentos. Lembro que estávamos tão alucinados com os treinos que fazíamos de propósito barulho para fazermos mais 10! Lá pelas quase 03:00 da madrugada, e eu tinha que estar no serviço as 07:00 da manhã. Estávamos treinando equilíbrio no círculo de areia na 308, iríamos fazer 50 voltas para um lado e 50 voltas para o outro lado, Sem cair! No finalzinho a maioria já morto, muitos com sono, alguns parando no meio do treino, e para os que se mantinha em pé, o lema era “faça e não reclame!”. No final só quem não perdeu o equilíbrio e não caiu fomos Eu e o Beto. Lembro que nessa época já estávamos em um nível de brutalidade foda, teve um momento nessa noite que algumas pessoas chegaram para mim e falaram: “André, vê se vc consegue falar com o Beto, ele tá muito bruto com o pessoal”. Eu parei.. Olhei, já estava quebrado e já no final do treino, ainda concentrado, falei  no extinto: “Sim, e daí? Quem não aguenta sai”. Não tinha desculpa, tem que fazer, então tem que fazer, e só.

Uma coisa que muitos iniciantes não entendem, não gostam, desistem, reclamam, é justamente isso: “Pô, se já tem um jeito fácil de fazer, para que sofrer tanto? Para que treinar tanto?”. É justamente para você dar valor aos treinos, se conhecer, batalhar e ralar por você mesmo até conseguir chegar por seus próprios méritos. Com isso você desenvolve e caleja seu espírito, você não desiste por qualquer coisa. Você aprende a cair, levantar, e seguir em frente. Você sempre vai tentar ir além do que seu corpo consegue.

Ser forte não é ter só força física, ser rápido, fazer tudo. Ser forte é você apanhar, cair, levantar, apanhar, cair, levantar de novo e continuar aguentando. Até  um nível tal, onde não vai ser qualquer coisa que vai te derrubar.

Muitos falam que Parkour é para qualquer um, mas NÃO É! Parkour é para quem está disposto a ralar, sentir dor, cansaço tanto físico quanto mental , é para quem consegue desenvolver um espírito lutador, quem está disposto a sofrer para atingir um objetivo. Parkour está disponível para todos que querem, MAS os que querem devem se transformar ou desenvolver essas e outras “qualidades” . De aguentar a dor, ralar, ralar, ralar, não desistir e etc… e isso é possível! Conheci muitos que nunca tiveram alguns dessas qualidades que desenvolveram com o treino, incentivo e perseverança.

Atualmente temos a consciência de que contra-balanceando a exigência dos treinos e a disciplina, com as limitações das pessoas conseguimos equilibrar e  desenvolver qualquer pessoa que se identifique. Até mesmo algumas (não todas) que inicialmente não durariam muito tempo no “sistema antigo ” que ainda é pelo menos para mim, o que funciona! Infelizmente com o tempo que tenho, e as vivências que tivemos, MUITOS  ficaram, ficam e vão ficar pelo caminho.

Parkour não é para qualquer um! Parkour é  para TODOS, todos que estão dispostos a se tornarem mais fortes.

Quero parabenizar e dizer que o trabalho sério, bem feito, com espírito forte e fiel as origens do Parkour. Como os grande que tive a oportunidade de aprender, sempre se desenvolvendo aprimorando suas as técnicas com os melhores do mundo. Como foi a vinda do Erwan (Método Natual/MovNat) e do Thomas Coeutdic aqui para o Brasil que foi uma das melhores experiências que já tive, e aprendi muito. Esse trabalho dá frutos e se perpetua. Por mais que, de 30 que iniciem e reste apenas 1, esse único que durou leva o legado para frente. Um exemplo disso é um cara que se tornou um dos melhores atualmente, grande  Maurício! Lembro a primeira vez que vi o cara, depois do treino pesado, estávamos quebrados e faltavam 100 landings, terminamos os 50 primeiros, o Beto falou para dar um intervalo, assim que nós sentamos o Maurício que estava iniciando chegou para o Beto e perguntou: “Cara, eu posso terminar os outros 50 agora? É que eu tenho que ir para casa”. O Beto falou que sim e  o cara voltou a fazer os outros 50 como se fossem os primeiros! Eu olhei pro Beto e ele falou: “Caralho véi!”, Eu fiquei impressionado também, e na mesma hora eu pensei: “o cara tem fibra, se ele continuar treinando assim, vai ficar monstro ” Dito e feito! Hoje o cara tá mandando muito bem. Quem inicia certo, termina certo!

Por mais que eu não mantenha contato, eu continuo, sempre treinando, saltando por aí, e ajudando os que querem iniciar a treinar, do mesmo jeito que me ajudaram quando iniciei.

Os “PODKAST COM K” estão ótimos e de parabéns.

PARABÉNS BETO !!! PARABÉNS A TODOS QUE CONTINUAM COM ESSE TRABALHO !!! Parabéns ao “DECIMADOMURO”, “PULO DO GATO”,  “PKMAX”, “Geração Tracer” “Movimente” e tantos outros que continuam com esse trabalho.

Grande abraço

FORÇA SEMPRE!

The Path of Least Resistance

5 mai

Um dos melhores vídeos sobre parkour que já assisti, todos deveriam ver.

Infelizmente só em ingles :(

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Parkour Generations – Academy 2010

13 jan

Um bom exemplo de treino de Parkour,video feito pelo nosso companheiro de podcast Bruno Rachacuca do PKMax Parkour, que em sua estadia em Londres vem fazendo um belo trabalho junto a Parkour Generations.

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Uh, Parkour!

Parkour no Jornal da Globo

30 dez

Movimente e BRTracer fizeram uma excelente e divertida matéria para o jornal da globo nessa ultima terça feira, e mostraram para o resto do país um pouco do Parkour de Brasília e os lugares que costumamos treinar, tal como o nosso (agora) tradicional encontro de Parkour, o Partour.

Parabéns aos envolvidos na matéria!

blah

Aulas de Parkour?

30 dez

Como sabemos não existe ainda um modelo oficial de aulas de Parkour no Brasil e devido a alguns aspectos culturais, os modelos aplicados na França e no Reino Unido não se adaptam a nossa realidade atual, Estamos tentando descobrir qual a necessidade do publico quando procura uma aula de Parkour, como você acha que deveria ser?

Nos diga o que espera de aulas de Parkour!

Utilize a discussão aberta na comunidade Parkour Brasil ou poste sua opinião na parte de comentários.

Saindo do Sedentarismo (Ciclo Negativo)

1 nov

Muitas pessoas não praticam exercícios. Seus motivos são variados, mas
podemos pontuar duas possibilidades básicas: a falta de tempo e o
cansaço. Logo, com seus motivos estabelecidos, o sedentário entra no
que podemos chamar de Ciclo Negativo. Nesse Ciclo o indivíduo cansado
ou sem tempo não treina, conseqüentemente, reduz suas capacidades
físicas e mentais, ficando menos funcional por uma ausência de
estímulo. Com o passar do tempo, passa a se cansar cada vez mais
facilmente, podendo levar mais tempo para concluir uma tarefa, pois
durante esse tempo sem estímulo, seu suprimento de energia se tornou
cada vez mais limitado, gerando falta de ânimo e o reinício do mesmo
ciclo. Com o passar de meses e anos, a situação se agrava ainda mais.
Essas duas possibilidades são congruentes no termo “Falta de
iniciativa”.

Pois então, se você é sedentário e não quer permanecer nessa situação,
há uma enorme infinidade de atividades em que você pode ingressar
(parkour é uma delas). Para escolher uma atividade, procure por
informações, pessoas sérias que pratiquem há mais tempo, e aulas
experimentais, para que possa então examinar se há alguma afinidade.
Mas não reduza sua escolha apenas pelo primeiro contato. Pois é lógico
que não vai chegar em sua aula de parkour e “ownar*” o seu instrutor,
e ser indisciplinado apenas fará com que você não realize atividade
alguma. (Se estava pensando assim, recomendo que retorne ao primeiro
post desse blog e leia um post por dia!).

Um fator importante, não só a escolha da atividade, mas também para
definir como você vai vivenciá-la, é estabelecer seus MOTIVOS. Se você
escolheu ingressar no Parkour, defina o que pretende ganhar e saiba o
que certamente irá perder. Claro que há escolhas lógicas! Como quando
você escolheu ter uma vida mais saudável, no pacote veio: boa
alimentação, exercícios, bom sono, etc. Mas há escolhas mais
especializadas que podemos chamar de metas, por exemplo: “Quero correr
40 km todos os dias!” Logo vou estimular mais as fibras curtas e menos
as longas, ficando com um corpo mais esguio e definido.
Mas se você pretende mesmo correr 40km todos os dias, tem que estar
atento ao fator “tempo”. Na nossa vida podemos definir como treino
ideal um treino intenso e de curta duração, gerando o máximo
aproveitamento. Para solucionar esse problema devemos nos organizar. O
homem inventou um item com a finalidade de facilitar essa organização.
Chama-se “Agenda”. Use-a da melhor forma possível e anote tudo,
dividindo o seu dia em fatias, com horário de início e fim de cada
atividade. Defina até mesmo o sono e o descanso.

Se você já viu seus motivos, escolheu suas atividades, definiu suas
metas, e organizou o seu tempo, está na hora de saber que: Não vai ser
fácil! Pois para chegar ao Ciclo Positivo será necessária uma intensa
força de vontade no movimento inicial. Na busca por sair do “ponto
inicial”, devemos procurar nos sentir com energia para treinar e volta
a treinar nos dias seguintes. Lentamente acabará se tornando mais
ativo. Sendo mais funcional e mais capaz, e aumentando sua capacidade
física, efetuará suas atividades diárias com pequena parte de suas
capacidades gerais, sobrando uma reserva energética superior àquela
que tinha quando não treinava.

  1. Ownar*: Vencer facilmente, mostrar como se faz, destruir, esmagar.

Parkour, e o incentivo

18 out

Estava conversando com o Lukinhas “Literaly”, sobre uma discussão relacionada a adição de competições, na definição acrescida no dicionário ingles Oxford sobre Parkour, então resolvi fazer um texto explicando todo meu ponto de vista sobre o que conversamos, aqui vai.

Meu ponto nesse texto não é dizer o que é certo ou o que é errado, mas ajudar a entender  o comportamento humano, e que alguns querem competir, outros querem uma faixa preta, outros querem ter 1 milhão de views e “joinhas” no youtube. Tudo isso tem um motivo único.

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Seres humanos são guiados por instintos, e nossos instintos respondem automaticamente a recompensas, normalmente chamado de “incentivos“.

Parkour é uma arte linda e complexa, que pode demorar alguns meses ou vários anos para se “masterizar“, e o tempo que vamos demorar para aprender não depende apenas da quantidade de tempos que passamos treinando, como sabemos, cada ser humano tem seu tempo, sua genética, e sua habilidade para determinados tipos de coisas, nem todos aprendemos tudo da mesma forma com a mesma velocidade.

Parkour por sua vez é uma atividade com um altíssimo numero de desistentes, conheço zilhões de pessoas que começaram treinaram um determinado tempo, e mesmo ainda apaixonado pela atividade, simplesmente não se sentem estimuladas a saírem para treinar, e acabam deixando de lado a prática. Pela minha experiência, quanto mais rápido a pessoa se torna “habilidosa” dentro do Parkour e se destaca por um “talento natural”, mais rápido essa pessoa vai sentir vontade de parar, pela falta de “desafios”.

Todos nós gostamos de dizer que devemos treinar por nós mesmos, mas como disse ali em cima, nossa natureza acha que isso não é o suficiente por isso acabamos procurando algum tipo de recompensa em tudo. Algumas pessoas procuram recompensas a longo prazo, continuam treinando porque demoraram anos para conseguirem as habilidades que possuem, e valorizam isso muito, então sua motivação é preservar o que deu tanto trabalho, outros conseguem treinar simplesmente pensando em saúde, e bem estar que o treino proporciona. Todo o resto precisa de mais que isso.

Numa comparação não muito parecida temos as artes marciais.  Dentro das artes marciais, as pessoas permanecem treinando por três motivos: Titulos, Competições, Saúde/Bem Estar. Muitas pessoas continuam treinando buscando suas graduações, e isso faz com que a pessoa tire 1 a 2 horas do seu dia, todos os dias, e vá até uma academia treinar e aprender alguma coisa. Outra fatia considerável é formada pelo pessoal que gosta de competir, se sentem desafiados, e treinam normalmente 5x mais do que as pessoas que treinam ou por saúde, ou por graduação, o incentivo dele é maior, uma medalha de ouro (??).

Uma outra comparação é quanto a graduação: Artes Japonesas quando eram apenas praticadas por militares, ou por guerreiros pessoas focadas no treinamento e no aprendizado das técnicas possuíam apenas duas graduações: Faixa Branca ou Faixa Preta. Com o passar do tempo foi desenvolvido o famoso sistema de cores(Jigoro Kano, Judo), influenciando por exemplo o taekwondo, que instituiu oficialmente quando trouxeram para o ocidente onde o numero de “cores” subiu de 4 para 10. Os ocidentais precisam ver para continuarem motivados é o incentivo que conta, sempre.

Em tudo que fazemos na vida fazemos em troca de incentivos, e no Parkour não possuímos nem competições, nem graduações, o que acaba afastando os praticantes menos assíduos da prática por não terem como ver sua evolução, mensurar isso de alguma forma, e não existirem competições oficiais, onde pessoas treinam para fazer parte de uma seleção, competir um campeonato regional, e quem sabe passar na seletiva para o mundial.

Não to dizendo que é certo ou errado, mas que o aparecimento de competições, e graduações é um caminho muito provavel para o parkour, para manter a pessoa treinando por mais tempo ou simplesmente por conseguir fornecer um objetivo palpável a curto prazo. Para alguns ser forte, ter saúde, e possuir a habilidade de ajudar as pessoas não é o suficiente

Depois falamos mais sobre isso.

Abraços

Parkour, O Treino para Iniciantes

24 set

Foi difícil mas achei, como falei no outro post gostaria de filmar meu próprio material, mas como não posso esperar o mundo acontecer, e quero que no final a informação seja disseminada, resolvi procurar um bom treino que sirva de exemplo para iniciantes copiarem, e seguirem.

O Vídeo abaixo representa exatamente o que iniciantes devem fazer. É um video nitidamente sem exageros técnicos, tudo muito básico e simples, executado de uma forma razoavelmente boa, e com uma técnica que ajude o iniciante a se identificar.

blah

O bambu chinês e seu crescimento

23 set

O bambu chinês e seu crescimento

Pensando a respeito de nossas ações na Movimente, acabei me deparando
com um texto sobre o peculiar crescimento do bambu chinês.

Após sua semente ser plantada, apenas poderemos ver o lento
desabrochar de um pequeno broto a partir do bulbo. Durante
aproximadamente 5 anos o crescimento é invisível e subterrâneo. Mal se
imagina que uma raiz maciça e fibrosa, que se estende na vertical e na
horizontal, está sendo formada.
Mas no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Esse fato é relatado pelo escritor Stephen Covey, que compara essa
peculiaridade a coisas de nossa vida. Da mesma forma que ele fez,
pretendo comparar esse fato a nossa evolução, seja no parkour ou em
qualquer campo de nossa vida.

Se hoje estamos nos dedicando, trabalhando, esforçando, investindo
nosso tempo em algum projeto sem ver o crescimento que gostaríamos, é
porquê o nosso quinto ano ainda não chegou e uma base sólida e firme
está sendo formada. Se agora não vislumbramos nosso crescimento
devemos continuar persistindo e nutrindo nossos projetos. Quando o
momento do crescimento exponencial chegar a base estará pronta para
resistir aos ventos. Ai sim virá a esperada mudança.

Com isso lembrei de uma frase de não sei quem, que vi não sei onde:
A paciência é uma arvore. Poucos conhecem o doce sabor de seus frutos.

Treinem e façam tudo em suas vidas com paciência.

Que c’est le Parkour?

23 ago

Que c’est le Parkour?

Recentemente uma discussão na comunidade Parkour Brasil do Orkut, fez ressurgir o debate sobre qual critério usamos para definir o que é Parkour, sendo eles o criador David Belle, até o que as pessoas que nos vêem de fora acham que estamos fazendo.

É muito complicado entrar em uma discussão desse nível sem ferir alguns conceitos alheios, qualquer uma das posturas que você tomar pode bater de frente com a opinião de outra pessoa que assim como você tem uma própria história dentro do Parkour, e  como todos nós ajudamos a criar isso que existe hoje, cada um dos pouquíssimos praticantes que existem por ai são parte integrante dessa criação, dia após dia recriamos o que David Belle fez, recriando o que seu pai ensinou, e dessa forma todo dia o Parkour se reinventa, e vai ser assim por muito tempo.

Mas o Parkour tem uma base, uma base solida, baseada no utilitarismo militar e na habilidade corporal. a plena capacidade de sair de situações de emergência e se preparar para o hipotético,  o que pode um dia vir a acontecer, ou pode nunca acontecer. Fomos doutrinados por histórias e documentários à estarmoa preparados para tudo, e para nada, sermos super-herois incrivelmente fortes simplesmente pela possibilidade de um dia precisar dessas habilidades, motivados apenas pela semente de uma idéia.

O que David Belle criou foi um objetivo ideal, esse objetivo de atravessar obstáculos foi batizado de Parkour. Uma modificação da palavra Parcours para demonstrar eficiência, e ausência de elementos desnecessários.  E mesmo que recriemos todos os dias a prática, enquanto seguirmos esse espirito, e essa idéia isso será o Parkour, criado por David Belle, Inspirado por seu pai Raymond, com Bases do utilitarismo herdado do Método Natural. Mas sempre o Parkour de David Belle.

Várias outras pessoas fizeram parte dessa história e todas tem seu crédito e seu mérito, mas devemos preservar a idéia do Parkour de forma que não se modifique a estrutura da prática, uma atividade que já nasceu excluindo o desnecessário e o inútil, e impondo sua agressividade em cima do próprio nome, é constituída por um aspecto físico e mental muito forte, mas que deve ser preservado para que sua base original não seja alterada, e assim deixe de ser Parkour, para ser Parcours, ou qualquer outro nome menos agressivo, menos eficiente, e menos Parkour.