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Parkour, Mídia e Arte

3 set

Parkour, Mídia e Arte

Com os avanços tecnológicos, o advento da internet, a globalização, o mundo ficou muito mais rápido, as informações hoje são veiculadas em tempo real, qualquer coisa pode virar notícia em uma fração de segundo. Vemos cada vez mais virais aparecendo na mesma velocidade que desaparecem e, sem dúvida, o Parkour é fruto disso. Sem a internet, sem o YouTube, ele teria demorado muito mais tempo para se tornar uma “arte pop”, mas o Parkour é tão fruto desse momento quanto a Lady Gaga ou qualquer outro artista ou movimento contemporâneo em seus quinze minutos de fama.

O Parkour está vivendo seu momento na frente dos holofotes (verdade que quase em decadência). Fato é que esse momento vem durando bem mais que quinze minutos. Desde que surgiram os primeiros filmes com a prática, do mais underground até o mais pop, o que é o caso do 13º Distrito e sua sequência que caíram no gosto popular e sabidamente fez com que muitos jovens iniciassem a pratica (afinal, muitos tracers hoje conhecidos e respeitados começaram após assistir a um desses filmes). Não podemos esquecer o destaque importante que o Parkour recebeu da rainha do pop (Madona) ao fazer um clipe com um dos maiores ícones da prática, Sebatien Foucan, o que acabou por abrir um leque de visibilidade para o mundo todo.

Não são poucas as inserções do Parkour nas artes cênicas, desde o cinema (com o 13º Distrito, 13º Distrito: Ultimato, Yamakasi: Os Samurais dos Tempos Modernos, Yamakasi: Filhos Do Vento, 007: Cassino Royale) e televisão (com os seriados, The Phantom e The Misfits,) ao teatro, dança e circo.

A espetacularização dessa arte logo se tornou pública e quando falo de espetacularização falo de Parkour nu e cru. Existem muitos artistas interessados nas possibilidades cênicas dessa prática (inclusive a pessoa que vos fala).

Nas artes cênicas existe uma busca incansável pelo novo, ou pela nova forma de se fazer o velho, e nesse contexto o Parkour é uma prática corporal extremamente artística, que possui variadas possibilidades, desde ser usada como meio para um treinamento específico de um ator ou dançarino, até ser usada como fim de uma performance dos mesmos.

A partir do momento em que enxergamos o Parkour como arte ele muda completamente de forma, (aqui cabe uma ressalva, qualquer coisa pode ser entendida como arte, desde que seja tratada como tal, lembremo-nos da privada de Duchamp). Pois, não necessariamente os atores, dançarinos, etc… ARTISTAS, o utilizarão para a vida, eles podem somente ser treinados para um fim específico, sem necessariamente “aprender” os conceitos filosóficos da prática em si.

É importante lembrar que, geralmente, antes de se fazer um filme, uma peça, um clipe, etc… Por via de regra, se faz uma pesquisa “aprofundada” de todos os elementos do mesmo. Então, raramente veremos o Parkour simplesmente como um apelo estético, mesmo que pareça isso à primeira vista. Obviamente que sabemos que existem pessoas que irão investir no Parkour porque sabem que tudo o que é pop gera público e conseqüentemente gera dinheiro (só tracer não ganha dinheiro com o Parkour, mas isso é assunto para outro texto).


Nem sempre (ou não na maioria das vezes) quando vemos o Parkour em algum filme, clipe, peça, ou seja lá o que for, ele vem com uma legenda dizendo “isso aqui é, isso aqui não é”. A arte busca a melhor forma de fazer, a melhor forma de mostrar e isso tende a um hibridismo muito forte, e, possivelmente, só as pessoas que já conhecem discernirão: “isso é Parkour, isso não é Parkour”. Então, é natural que um leigo, ao assistir a “13º Distrito”, diga que Jackie Chan já fazia isso, porque ele não entende o tecnicismo da pratica, e é bom que ele não entenda. Ele precisa ser encantado e tocado, o resto é bônus. Assim como se você não for um médico, dificilmente você vai entender a techné de um seriado que fala do dia a dia de médicos e seus pacientes. Obviamente que em alguns momentos podem existir erros grotescos, que nos fazem querer matar o diretor, pois nem sempre as pesquisas são bem feitas e muita coisa pode ser distorcida.

Pessoalmente, vejo com muito bons olhos a forma como a prática vem se tornando presente em diferentes mídias, é uma possibilidade de difundi-la e torná-la respeitada. Seria uma incoerência dizer que filmes como “13º Distrito”, jogos como Mirror’s Edge, clipes como o Jump da Madona, espetáculos como os do Cirque Du Soleil não contribuíram para o crescimento da prática, melhorando também a imagem dos praticantes. Se somos fruto do meio, que o meio continue dando bons frutos.

Movimento – Festival do Minuto

16 ago

Um minuto de SUCESSO!

A movimente está participando do Festival do Minuto. O festival é feito para vídeos de até um minuto de duração, que relatem sobre algum tema. No caso a movimente está do Minuto do Esporte.

- Minuto do Esporte

A idéia do vídeo é mostrar um pouco o treino, a concentração e dedicação que é necessária ao parkour. O auto-conhecimento adquirido, os momentos de tristeza e fraqueza, os momentos com os amigos, as pequenas conquistas. Tudo isso influenciando o treino do Tracer (praticante de parkour). São questões de vencer-se a cada dia, escutar-se e verificar que somos capazes de vencer nossos limites, limitações e problemas. Começamos devagar, do pequeno e podemos alçar as alturas. Basta a dedicação.

Cada centimetro, cada segundo, cada respiração… tudo isso faz a diferença.

Assistam, e votem!

Para votar é necessário criar uma conta.

Colaborem!

Visualizar vídeo – O Momento

Uma Realização: Movimente

Tracer: Rodolfo Machado
Direção Artística: Rafael Sotero e Breno Metre
Edição e filmagem: Rafael Sotero
Colaboração: Ademias Junior, Danilo Reis, Admilton Nascimento , Maurício Roboredo, Juliana Dantas, Débora Molas.

I’m back!

3 ago

-

Como muitos sabem, em fevereiro de 2010 me lesionei treinando. Passado alguns meses, retornei ao treino, me adaptando a lesão.

Em março de 2011 operei meu joelho esquerdo e novamente tive que parar. Foi duro se sentir incapaz e solitário por um bom tempo. Mas hoje não vim falar sobre o “cair” (deixa isso para depois), mas sobre o atual momento, parte do “levantar”!

Após o partour 2011 eu pude respirar um novo ar e investir mesmo no meu retorno. No dia 1º de julho comecei a escrever uma espécie de “diário de treino”. As 3 da manhã do dia 09, me desafiei a treinar para um desafio pessoal (um dia será revelado) e comecei séries de flexões. No dia 18, apresentando a cidade para o Isaac Pereira (Parkour Fortaleza), vi-me frente a um passe muraille na medida certa! Venci a inércia e decidi enfrentá-lo. Após algumas tentativas eu estava muito cansado e tive que parar. Por fim creio que eu e o muro ficamos empatados, pois me fixei com uma das mãos mas não pude segurar com a outra para o climb. Mas apenas essa experiência, e a resposta positiva da perna operada, foram suficientes para me animar.

No dia seguinte, marcamos de nos encontrar no Pico Amarelo (Isaac, Berrin, João e eu). Me vesti para o treino como alguém que se prepara para um verdadeiro confronto. Me lembro bem que já estava
lesionado quando comecei a freqüentar o amarelo. E ver o pessoal fazendo strades (passadas) tão facilmente me deixava emocionalmente destruído. Cheguei, me preparei, escolhi o som no mp3, e enquanto esperava os amigos, treinei! Primeiro obstáculo vencido? Aversão a treinar sozinho. Corria e fazia pequenas fluências. Primeiro lento e depois, de forma bem gradativa, mais rápido e mais alto. Estava sentindo meu corpo e constatando “no
que regular a máquina”. A fluidez de outrora não era a mesma, claro! Mas de uma forma mais “bruta”, ali estava ela. Até que veio a primeira queda!

Pernas no chão e as mãos firmes, impedindo o impacto da cabeça e tronco no solo. Ainda na posição da queda, alguns segundos de silêncio e uma breve análise: Cai de uma forma bem incomum. Lateralmente e com as pernas bem afastadas. Como se não tivesse suportado o peso daquele landing lateral que usamos nas fluências.

Constatação: Observei claramente que a cabeça está num nível e o corpo está em outro. Além da perna operada responder muito mais lento aos estímulos que recebia no passado. Mas eu estava bem, nada de torção ou dor. Continuei nas fluências, com mais cuidado e por mais algum tempo, sem problemas.

Então decidi testar a impulsão. Para isso escolhi dois saltos de dédente que fazia facilmente mesmo lesionado. Depois de uma silenciosa concentração veio a execução de cada uma!

Constatação: Claro que a impulsão diminuiu mas esse não é o maior dos problemas. Senti que minha cabeça quer, a qualquer custo, proteger a operação. Logo, a confiança foi embora.

Depois de aproximadamente 30 minutos nisso, cansado, parei e aguardei os garotos. Quando eles chegaram eu não podia fazer nada! Sentia meu corpo retornando a um estado de nítida morbidez. Notei
isso e logo me concentrei no ritmo da música no meu mp3. Não importava como! Fosse andando, correndo ou dançando de zoeira com os amigos, eu iria me mover naquele ritmo! Não que tivesse que provar nada a ninguém, mas queria mostrar e dividir com eles parte das re-conquistas que vivenciei durante a tarde. E assim foi!

Chegada a noite, fomos para a 303 Sul e enquanto um grande grupo aproveitava o retorno do “círculo maldito” (um treino tradicional de Brasília), eu me voltava ao meu desafio pessoal das flexões. Executei 50 séries de 7 flexões por minuto, num total de 350 flexões. Sei que não é muito, mas estamos voltando e esse foi o brinde para fechar o dia 19 de julho de 2011.

Para os meus amigos leitores: A insistência e a paciência são partes integrantes da força de vontade!
Até breve!

Um pouco de minha experiência “na gringa”.

22 jul

Meca.

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Já faz um ano desde o inicio de minha jornada ao Reino Unido. Me lembro muito bem de todo o esforço e planejamento que fiz até chegado o dia tão esperando, em que eu iria finalmente sair para descobrir “a gringa” . A principio eu almejava muito conhecer gente mais experiente e poder aprender com todos eles, principalmente sobre ensinar e passar adiante a disciplina, esse era meu foco. Mas apesar de todo esse meu anseio em aprender eu também esperava ter a oportunidade de compartilhar com alguém um pouco do que eu já tinha como bagagem dentro da atividade. Não vou descrever aqui tudo que vivi lá, mas quero compartilhar um pouco da minha visão sobre oque se esperar de uma viagem ao exterior visando o crescimento no Parkour.

Ao todo foram 6 meses de muitas descobertas, passando por Reino Unido, Espanha e França, mas talvez a coisa mais valiosa que eu tenha descoberto, eu já carregava dentro de mim desde antes. Mas oque você quer dizer com isso Pedro? Bom, é simples, eu percebi que ás vezes não é necessário ir tão longe para encontrar o que realmente importa. Não digo que me arrependi ou mesmo que se tivesse a oportunidade de voltar no tempo eu não faria tudo igual, pois acredito que toda experiência pode ser valida, de uma forma ou de outra. Teria feito tudo igual, mas talvez com uma visão e uma expectativa um pouco diferente.

Quando cheguei a Londres, fui logo de cara conhecer o pessoal da Parkour Generations, e encontrei gente com um nível técnico e físico muito bom, assim como boas pessoas que me receberam muito bem, fui muito bem tratado. Me lembro que foi um tempo de muito treino, suor e calos na mão. Meu nível técnico e físico rapidamente cresceu. Eu estava treinando quase todos os dias, estava empolgado de estar em um ambiente novo, com pessoas novas, tudo novo. Mas hoje vejo que aquilo que realmente me fez evoluir nesse período não foi o fato de eu estar com PKGEN, tampouco os picos de Londres. Na verdade em Brasília já tínhamos o mesmo conhecimento sobre treinos, picos bons, uma mentalidade boa, e pessoas fantásticas. O que realmente me fez evoluir nesse período foi eu mesmo, eu estava ali sem pensar em mais nada, só para o Parkour, e claro, em um ambiente que não deixava de me favorecer. Era impossível então que eu não sentisse uma evolução rápida . Posso dizer que nesses 6 meses de experiência, talvez oque eu tenha aprendido sobre um treino de Parkour não passe de 10% de tudo que eu somei de novo na minha bagagem. Talvez oque me trazia mais alegria e me permitia evoluir em uma maneira tão rápida, era o fato de eu estar ali compartilhando das mesmas ideias e espirito com gente de tão longe, de diferentes culturas, e saber que poderiam estar aprendendo algo com você ao mesmo tempo em que você estaria aprendendo com eles.

Nessa viagem conheci gente que ia desde aspirantes até celébres e renomados do mundo do Parkour, sejam eles nativos da região ou mesmo gente que vem das mais variadas partes do mundo para treinar. Gente forte que salta distante, outros que nem tanto. Gente que se comunica mais através do movimento que com a boca, outros que são melhores em discursar a idéia de saltar que fazer um salto. Gente que gira, outros que não giram, gente que gira só um pouco. Gente sábia e experiente, gente nova buscando um espaço, gente buscando apenas um pouco de exercício físico e novas amizades, gente engraçada que se faz rir, outros que preferem a seriedade e rigidez. Mas ao final, todos esses tipos em um mesmo ambiente compartilhando da mesma prática buscando evoluir.

Eu também sempre mantinha uma vontade grande de vir a Europa e conhecer um pouco sobre as raízes da disciplina, estar com aqueles que começaram todo esse movimento, que hoje já se alastra por todo o mundo. E foi isso que fiz, depois de uma rápida passagem pela Espanha (Relatei um pouco dessa viagem no meu blog pessoal) fui direto a Paris para encontrar com o pessoal do Yamakasi e conhecer um pouco dessa galera que me inspirou bastante no meu inicio. Era estranho estar ali ao lado de gente que você tinha a impressão que já conhecia tão bem, mas se da conta que na verdade que vocês não se conhecem ainda. Me lembro muito bem quando vi Yann Hnautra(um dos Yamakasi da velha-guarda) em Evry, e fui falar com ele como se ele fosse já um antigo amigo de treino. Ou mesmo estar jantando com colegas depois de um treino e se dar conta que são pessoas que foram grandes responsáveis pelo inicio do movimento em todo o mundo, gente que revolucionou. O que quero dizer com isso, é que nesses momentos eu percebi que o valor estava apenas em estar ali compartilhando um pouco de mim com uma outra pessoa, independente de quem essa pessoa fosse. Também posso dizer que foi importante para mim conhecer toda essa gente e perceber o lado humano de cada um deles, isso me fez observar um pouco mais a mim mesmo e o meu potencial como praticante de Parkour e como pessoa também, coisa que vez ou outra esquecemos de fazer.

Durante esse tempo que estive experienciando e vivendo o Parkour de forma intensa, eu pensei muito em sobre todos meus amigos no Brasil e sobre todo o cenário brasileiro no geral, isso me fez perceber que ganhava muito mais do que eu já imaginava estando na minha cidade, com meus amigos de treino. Percebi que tudo que eu já havia vivido até então na viagem, eu poderia viver sem mesmo sair da cidade ou mesmo do bairro onde moro. É claro que eu recomendo viajar ao exterior a todos aqueles que queiram evoluir e viver novas experiências dentro do Parkour, mas antes disso recomendo fazer isso no seu próprio ‘’quintal’’. Você pode descobrir coisas tão incríveis quando descobriria estando em um outro país, distante de casa.

Hoje depois desse tempo todo, muitas coisas mudaram, tenho uma vida bem diferente (é claro que eu treino Parkour regularmente).Tudo que eu esperava para depois que eu voltasse de viagem, não está acontecendo, mas por outro lado, estão acontecendo outras coisas tão boas quanto as que eu planejava que acontecesse. Percebo melhor na minha prática que a vida é uma longa jornada de aprendizado, principalmente para aqueles que buscam isso com afinco.

Existe vida além dos muros

18 jul

Existe vida além dos muros

Mudanças comportamentais são causadas por diferentes motivos, geralmente de tempos em tempos existe uma grande “onda” que influencia toda uma geração, desde a forma como se vestir até a maneira de falar. Os jovens tendem a ser os mais influenciados, pois frequentemente essa “onda” vem com uma ideia transgressora como o movimento punk, grunge ou hippie e, convenhamos que adolescentes buscam a transgressão com unhas e dentes. Entretanto, a partir dos anos 2000 essa transgressão mudou de forma e os jovens entraram numa linha de “serem puros para serem bons”, e é aí que entra o Parkour nessa história. Qualquer coisa pode influenciar no nosso comportamento, mas algumas podem modificá-lo para o resto da vida.

Quando começamos a praticar passamos a olhar o mundo de outra forma, é o momento da descoberta. Todo o meio à nossa volta muda, a arquitetura que antes tinha valor apenas estético/histórico passa a ser objeto de exploração.  Obstáculos tornam-se atrativos e os olhos brilham só de olhar para um simples corrimão. Esse primeiro momento tende a vir com uma busca por um estilo de vida mais saudável. Não são poucos os relatos de tracers que mudaram completamente as suas vidas por causa do Parkour, desde aqueles que pararam de beber, até os que pararam de fumar ou de comer carne. Os exemplos são muitos e de tipos bem variados. Essa busca por um equilíbrio entre corpo e mente gera tracers mais conscientes de si e do meio a sua volta.

Buscar clareza de sentidos, equilíbrio e força é extremamente importante nesse processo de descoberta, mas é fundamental que isso não vire uma obsessão e não entremos numa bolha, pois existe vida além dos muros e o Parkour pode até ser “uma forma de salvação”, mas não é a única. É bom lembrar que cada um tem o seu processo, que não necessariamente é o mais bonito ou saudável, mas que mesmo assim deve ser respeitado. Somos fruto daquilo que fazemos, dizemos e sentimos e no Parkour não é diferente. A forma como você se relaciona com a prática é a forma como a prática se relaciona com você.

Espero que essas mudanças que o Parkour vem causando perdurem e tornem-nos menos sedentários; ajudem-nos a enxergar o mundo sem tanto medo — fato que não vamos salvá-lo (pessoalmente não sei se algo um dia conseguirá essa proeza, sou pessimista demais para crer nisso), mas nada nos impede de tentar tonar as pessoas um pouco melhores para ele. Que essa “onda” torne-se um tsunami. Evoé!

O que te faz pular?

13 jul

O que te faz pular?

Tem aproximadamente dois anos que vou pelo menos uma vez por mês a um lugar onde eu sempre treino perto da minha casa. Desde que diminui meu ritmo de treinos perdi a coragem de fazer um Saut de Bras/Cat leap que sempre fiz com muita facilidade, inclusive quando “descobrimos” este salto eu fui o primeiro a fazer com muita confiança e sangue no olho.

Nesses dois últimos anos eu praticamente perdi a coragem para fazer esse salto, nunca tinha aquela vontade de fazer, nada me fazia pular daquele muro. O salto era de um muro para o outro no mesmo nível, nada de complicado, nada de difícil nisso. Eu simplesmente não me senti apto a fazer.

Enquanto eu parava para analisar o salto eu via minha mão escorregando do outro lado. Conseguia até sentir os cortes nos dedos causados pelas pedrinhas do muro chapiscado. Imaginava que era pesado demais para aquela parede, e que provavelmente o muro ia ceder quando eu segurasse do outro lado. Eu pendurava, balançava e testava tudo. Tentava me assegurar de era seguro e que não me machucaria. Pensava em todas as possibilidades de falha do salto, tudo que poderia dar errado, eu estava com medo.

Comecei fazendo de uma lateral poucos centímetros mais perto do que o salto que eu verdadeiramente queria fazer, mas nada disso funcionava. Passei quase dois anos com esse medo e pensando que não tinha motivos para fazer o salto, não valia o risco.

Nesse domingo fui ao parque com um amigo e acabamos treinando alguns saut de bras em outro ponto, então fomos para o salto que eu tinha tanto medo de fazer. Ficamos lá pensando e conversando. Então coloquei a meta de que faria aquele salto de novo em um mês. Voltaria aos meus treinos regulares, recuperaria minha confiança e faria. Ele riu de mim e disse “achei que faria hoje”.

Ficamos por volta de 30 minutos discutindo sobre o salto e os motivos que eu achava que não conseguiria faze-lo. Depois de muito conversar ele decidiu que tentaria. Fiquei feliz por ele tomar essa iniciativa e disse que provavelmente tentaria se ele tentasse. Eu não achava que ele iria tentar.

Fui lá para baixo ficar aparando a queda para caso acabasse dando errado. Ficamos lá um bom tempo e eu bem confiante de que ele não tentaria, e eu iria pra casa engolindo minha vergonha e meu medo, eu estava virando um bundão. No momento eu não estava racionalizando comigo mesmo o motivo de não querer fazer, eu só achava que iria me machucar.

Quando menos esperava, o Wendely saltou e a mão dele não fixou na parede e ele deslizou. Achei que ele não fosse tentar de novo. Subiu no muro, pensou por mais alguns minutos e saltou, agora conseguindo. Ficou brincando comigo, e então eu teria que tentar o salto como combinado.

Subi para avaliar a possibilidade, fiquei rindo falando que não faria. Perguntei até como eu poderia pagar o combinado de outra forma. Fiz todas essas brincadeiras de quando não temos culhões para fazer o que prometemos. Fiz alguns testes, pulei da lateral, desci e subi. Testei o muro e fiquei parado olhando para o muro por um bom tempo. Até que parei de rir.

Parei  para pensar de verdade no salto. Em como eu fazia tantos saltos antes e agora estava com medo. Em toda atitude que sempre tive, em toda coragem e sangue no olho.  Pensei em todos os treinos que fiz nesses oito anos e na capacidade física que tenho. Pensei em todo o preparo e quantas coisas mais difíceis já tinha feito. Parei para pensar que eu não conseguiria lidar novamente comigo mesmo.  Mais difícil do que lidar com os amigos fazendo brincadeiras, com um ralado ou uma queda, é a vergonha de não ter nem tentado. Quando percebi, estava novamente decidido a fazer o salto. Só precisava considerar algumas coisas e fazer, era isso. Sequei minhas mãos que já estavam suadas na calça, e tirei a poeira do tênis.

Enquanto respirava olhava fixamente para onde minhas mãos deveriam pegar, o suor já pingava e meu coração batia acelerado. De repente como de forma inesperada eu olhei para o outro lado e vi minhas mãos chegando, assim eu pulei.

Cheguei do outro lado de forma firme, os pés cravaram no muro e as mãos também, e em menos de um segundo já estava sentado no muro sorrindo, com a mente vazia e o coração limpo. Um sentimento de emoção e conquista que eu não me proporcionava através do Parkour há muito tempo agora tomava conta de mim. Nesses últimos dois anos que vim treinando esporadicamente só para não perder algumas habilidades eu tinha esquecido como eu podia me desafiar e me sentir bem com o parkour.

O que me fez pular foi não conseguir lidar com a vergonha, com o meu ego, comigo mesmo. Saber que foi vencido por algo que não existe e que está só na sua cabeça. Ao contrário da luta que você da a cara a tapa, bate e apanha, ganha e perde, sendo que isso não depende só de você é uma coisa. Perder para você mesmo é algo que eu realmente não soube e não sei lidar. Isso é o que me empurra, é o que me faz continuar.

Conforme ficamos mais velhos o nosso medo aumenta. Cada erro pode significar uma perda maior. Um braço quebrado representa faltar no trabalho e o risco de perder o emprego. Qualquer errinho pode representar todo seu mundo indo por agua abaixo. O que me faz pular é a confiança nas minhas habilidades e no meu treino, a vontade de mostrar pra mim mesmo que sou capaz e que eu posso.

Pessoas têm motivos diferentes para fazer as coisas. Quando você está lá no alto daquele muro pronto para fazer um salto perigoso que nunca fez antes, o que te motiva? O que faz você pular?

Depois que fiz o primeiro salto, fiz várias e várias outras vezes, como se fizesse isso desde sempre, sem medo e sem preocupações. Vai entender. O Wendely sempre repetindo “quem vê você fazendo agora, não acreditaria no que eu vi”. O do vídeo obviamente não é o primeiro salto, mas é para ilustrar o dia e o momento.

Entrando na Rotina

9 jul


Diferenças culturais exercem grande influência na “evolução” dos tracers. Por que tendemos a achar que orientais fazem tudo melhor? Essa resposta costuma doer no nosso brio, mas ela é bem objetiva: Determinação e rotina. Pois é, nós brasileiros, culturalmente, temos o “hábito” de ser menos objetivos, tendemos a reclamar demais e fazer de menos. Crescimento e melhora são diretamente proporcionais à sua determinação e empenho para que isso aconteça. Então, tracers geralmente se empolgam muito no início, mas, com o decorrer do tempo, querem respostas imediatas, buscando o nosso clássico jeitinho. Só que, feliz ou infelizmente, não existe um jeitinho para tudo e, quando esse jeitinho existe, com ele vem o ônus.

Qual a diferença de um tracer, para um artista circense, ou um artista marcial? Em geral, apenas a prática em si é o que os difere, mas a entrega para ser bom em qualquer uma delas tem de ser real e “total” (entendendo total como dentro dos seus limites). Assim, vemos com frequência associações dessas práticas a religiões, o que alguns enxergam como verdadeiro exagero, entretanto, se pararmos para pensar um pouco, é apenas outra forma de enxergar a religião. Não estou falando daquela fé cega e sem reflexão, mas da dedicação e seriedade com que tratamos a prática em si. Tratar a prática de forma “religiosa” não significa tratá-la como religião, mas encará-la com religiosidade. Essa percepção é delicada e, muitas vezes, passa despercebida. Importante lembrar que isso não inviabiliza a ludicidade nem o hedonismo inerentes à prática, mas os encara de outra forma.

Respeitamos o outro, o nosso espaço de treino e o nosso corpo, que é o nosso templo, afinal, não existe mente sã sem corpo são e vice versa. Assim sendo, por que vemos uma dissociação da prática disso? Porque, de um modo generalista, os jovens vêm perdendo a noção do que é respeito a si e aos outros, buscando a prática apenas como mais uma forma de se sobressair.  Assim, vemos cada vez mais tracers de final de semana, sem entender o que estão fazendo ou por que estão fazendo, pois são apenas reprodutores de uma prática vazia, sem sentido, sem responsabilidade nenhuma com seu corpo ou com o dos outros, porque, além de praticarem, muitas vezes reproduzem um conhecimento que não têm, e o que vemos é uma sucessão de lesões cada vez piores, já que estão “todos” à procura do jeitinho, da forma mais fácil.  A arte do deslocamento, aos poucos vai se perdendo, deixando de ser “arte” para cada vez mais se tornar deslocamento e, na maioria das vezes, nem isso.

O problema é que esse perfil se reflete em todos os aspectos da cidadania do povo brasileiro (se é que sabemos, o que é cidadania). Somos reclamões, pois reclamamos de tudo: Dos políticos corruptos, do preço da gasolina, da cesta básica e em contrapartida estamos sempre atrás da maneira mais simples; reclamamos tanto, mas agimos da mesma forma. E estamos fazendo isso com o Parkour, sendo que, ao não fazermos nada, estamos criando uma ausência de futuro, ou, sem percebermos, a prática está evoluindo (entendendo evoluir no seu sentido literal, como mudança), só não posso afirmar que essa evolução é para melhor ou para pior. Se existe uma solução pra isso, sugiro que deixemos essa preguiça de lado, pois nem toda rotina é ruim e, ao nos organizarmos estamos criando talvez um futuro melhor.

Esse comodismo brasileiro não surgiu do nada, não somos incentivados a pensar. A educação depois do golpe militar até hoje não conseguiu se reestruturar. Vivemos em um país de analfabetos funcionais, não temos criticismo e estamos ficando cada vez mais obesos. A educação esportiva no Brasil soa como piada. Lá fora você tem educação em tempo integral, as crianças são obrigadas a fazer algum esporte. E aqui? Jogam uma bola no meio da quadra (quando tem quadra) e apitam um babinha. Enfim, é obvio que o problema é muito mais profundo, mas não adianta só ficarmos confortáveis nas nossas poltronas pontuando os problemas. É hora de arregaçarmos as mangas e começarmos a resolver.


E assim começamos..

4 jun

Me seguro muito para não escrever sobre os treinos e sobre tudo o que passamos no começo do Parkour por aqui. Acho que pode soar mal interpretado, exagerado e até mesmo egocêntrico. Sofremos muito, e aprendemos muito com tudo o que fizemos. Cada gota de suor que caiu naquele chão contribuiu para tudo o que sou hoje em dia. Cada um que ralou a mão naqueles muros contribuiu para a força que tenho, determinação que adquiri, e todo o conhecimento que o Parkour me trouxe, relatos como esse que se segue, me fazem lembrar de como somos fortes.

O André, foi um dos bons amigos que o Parkour me trouxe, e com a vida cada vez mais corrida nos vemos apenas em encontros casuais pela rua, mas sempre conversamos com um respeito e carinho enorme. O André me mandou esse texto e fiquei bastante comovido com o conteúdo, me trouxe várias lembranças maravilhosas, e acho que seria injusto não compartilhar isso com vocês.


Esta é uma mensagem e agradecimento de quem iniciou e está até hoje no caminho do Parkour.

Meu nome é André (Ninja), e alguns dos  antigos aqui de Brasília me conhecem, sou de Sobradinho – Df e treino desde início de 2006, sempre influenciado pelos filmes(Principalmente Jackie Chan, nada a ver com PK, mas só aquilo já achava demais!). Ví uma reportagem sobre essa “prática” pulei da cadeira dizendo: “CARALHO! É ISSO! É ISSO AÍ! as  TÉCNICAS que o JACKIE CHAN  FAZ!”  (Nada a ver, olha a falta de informação na merda que dá ). Após tentar achar incansavelmente informações corretas sobre Parkour que na época eu não sabia que era este nome, nem tinha idéia quem e o que era David Belle, Foucan,Yamakasi, Método Natural e etc.

Depois de procurar e não achar nada direito eu consegui iniciar os treinos graças ao contato no Orkut do pessoal de Sobradinho -DF que estava iniciando também. Nosso primeiro “treino” foram apenas Landings, saltos de precisão e mais Landing, coisa besta, ridícula. Foram 50 landings de uma altura de 1,50m e depois os saltos de precisão e depois mais landings. No final eu falei: “Só isso? É isso? Se for assim vai ser tranqüilo”. Eu já com 7 anos de artes marciais nas costas pensava que aquilo não ia fazer nem cócegas, MEU IRMÃO, no outro dia eu acordei QUEBRADO! PQP! Eu falei: “Mas que porra é essa bixo? Aqueles saltinhos acabaram comigo! Como pode! Sempre treinei muito, trabalhei muita perna, corri, lutei, 7 anos de artes marciais! como pode!? ”. É diferente, a musculatura trabalhada é diferente! A intensidade, é totalmente diferente de qualquer outra atividade,  fiquei indignado, e ao mesmo tempo louco para treinar mais, para mim tudo que me faz ficar quebrado, acabado, me põe no chão e me faz ficar mais forte é digno de ser treinado e vale a pena.

Depois de saber o que era essa prática vendo alguns vídeos na internet e algumas informações eu percebia que aqueles saltos, pulos, movimentos, o cara para fazer isso precisava ser forte, para aguentar os impactos e a intensidade dos movimentos. Com o pouco que eu tinha(na verdade, NÃO TINHA NADA!), vi que precisava de mais conhecimento, e de alguém bem mais experiente e que pudesse me explicar realmente o que era Parkour e como treinar. Depois de saber onde encontrar tive a sorte e oportunidade de treinar com os melhores caras que conheço, sou grato a tudo que aprendi(e aprendo até hoje) com eles. Iniciei os treinos com o Beto(Alberto), Alex Pires, Bernardo, Breno, Santigas, Alan. Lá nos treinos eu sentia a essência de um treino. Sem frescura, pesado, puxado, desafiador, que te colocava no limite. Um dos vários treinos que tínhamos a exemplo, era o famoso “círculo maldito”, eu pensava sempre “CARALHO! ESSE É O TREINO! É ISSO QUE EU QUERO!”. Sempre que eu voltava de um treino ou da 308 ou 303 sul, no outro dia eu acordava quebrado, morto e querendo mais!

Como eu já vinha de uma doutrina de arte marcial, de disciplina, respeito, muito treino, sem moleza. Eu me identifiquei muito com o Beto(tenho muito respeito por esse cara, devo muito a ele, é umas das únicas referencias de responsabilidade que eu indico para quem me pergunta. O Beto que também vinha de uma linha assim, sempre focado, sério, os treinos  tinham que ter disciplina e ralação total, e nada de moleza, preguiça e desculpa.  Não tinha espaço para isso nos treino, coisa que eu concordava(e concordo até hoje, claro que mais brando, respeitando um pouco os limites dos outros). Era lei da natureza mesmo, sobrevivem os mais fortes(tanto física quanto mental) e os que não aguentavam eram “eliminados” . Mesmo que fosse um pouco desigual com as outras pessoas, isso forçava os que treinavam para valer a ter uma evolução muito grande. O negócio era ser bruto mesmo, e era o que eu queria! Ficar mais forte! Bruto! Para aguentar o tranco dos movimentos, ir mais longe e mais rápido.

Ultimamente ouvi a todos os “PODKAST  COM K” e o melhor foi sobre a BRUTALIDADE , que era(e ainda é) desse jeito em alguns treinos. Lembro que quem me ensinou sobre como ser bruto foi o Beto, e claro o Alex Pires, lembro uma vez que estávamos treinando “saut de bras” e o Alex estava comandando o treino, eu praticamente não falo durante o treino, para mim treino é hora de treinar e não de falar. Mas naquela hora fui explicar para outro iniciante sobre a pegada do movimento e o Alex me pegou na hora que eu estava de pé falando de técnica. Ele chegou perto de mim e falou: “Ow  já que você tá falando de técnica aí, sabe uma técnica boa para você ficar forte?” eu pensei : “Caraca, quero saber”, e falei para o Alex: “Sério? Que técnica é?, Fala aí”, ele falou bem sério e rápido: “treina mais e fala menos!” e saiu. PQP! Era uma brutalidades assim, e eu saiba que o negócio era esse mesmo.

Lembro que na época estava a sensação do “Planche” lá na 308, nas árvores, quase todo mundo já conseguindo fazer o bendito do “Planche” que era um marco na época! O Beto ainda fazia por etapas! (faz tempo mesmo) fazia primeiro com um braço e depois o outro, ele fez uma assim para me mostrar. Daí o Alex chegou e falou: “quando vocês estiverem bons eu ensino a fazer isso” e já fez o “Planche ” com os dois braços e de uma vez só! E todo mundo: “Caralho! Que escroto!” Porra! O FDP já estava lá na frente do pessoal, em um outro nível, daí eu perguntei: “Caraca! Como se faz isso?” O Alex falou: “é fácil, SOBE!”. Eu falei: “Pô bixo, mas como eu faço para subir?”, Ele veio de novo e falou: “Bixo, Sobe! PEGA E SOBE!”. Daí depois de algumas tentativas frustradas fui no Beto e falei: “Ow Beto, como faço para subir com Planche?”, e para mim como o Beto já estava começando e já sabia como fazer eu esperava já sair do treino com alguma dica, daí o Beto falou: “Ah Véi! É fácil pega e SOBE!” ¬¬. PQP! Resultado, voltei para Sobradinho com isso na cabeça. Eu não ia parar enquanto não conseguisse fazer o “Planche”, fiquei 1 mês! praticamente todos os dias tentando fazer, treinava barra incansavelmente, e finalmente consegui fazer! Subí com um braço e depois outro! Depois voltei para 308 já para acompanhar os caras fazendo o bendito do Planche, depois do treino pesado, comentei  que já estava subindo com um braço e depois o outro. Daí o Beto falou: “Pô, muito bom, é isso aí! Agora você tenta fazer assim” e já subiu com os dois braços em um movimento fazendo o “Planche”! Caraca! O cara já estava lá na frente! E era isso que me estimulava! Eu chegava e via um novo movimento, técnico ou exercício, que eu ainda não conseguia fazer, voltava para casa, treinava, treinava e treinava até conseguir. Quando eu voltava já fazendo, os caras já estavam em outro nível, e isso força agente a sempre evoluir. Pena que não pude treinar todos os dias com ele, se não minha evolução seria estupidamente maior. Para os iniciantes que estão vindo agora, aproveitem a oportunidade de treinar com esses caras, vocês vão evoluir muito rápido!

Depois foi a hora de tentar o Planche completo. Tentei, tentei, e tentava de todos os jeitos e não conseguia. Ralei pra caralho. Depois em um outro treino qualquer na 303, já no final desse treino, só estava Eu, o Beto, Alan e mais um que não me lembro. Eu sei que conversando com eles, eu falei que estava treinando direto e não conseguia fazer Planche, daí o Beto me deixou tentando um monte de vezes sem conseguir e eles fazendo tudo. Eu pensando comigo: “como eles estão conseguindo??” no final o Beto deu aquela dica da jogadinha do joelho ou do balanço, e na segunda tentativa eu consegui! PQP! Foi tão tranquilo que não fiz quase nenhuma força, foi “fácil” porque eu já estava treinando e tentando há muito tempo! Se eu não estivesse ficado esse tempo todo treinando para conseguir sozinho eu poderia não conseguir mesmo com as dicas. Depois de comemorar falaram aquele antigo lema:  “No parkour para você conseguir fazer um, você tem que fazer no mínimo três e seguidas! Sem errar nenhuma entre as três”. Essa sensação é indescritível. Vencer algo que você está ralando e treinando pra caralho, só quem treina que sabe.

Treinar duro, sem frescura, indo além do limite, se desfazendo de qualquer fraqueza ou desculpa é importante. Essa brutalidade é importante. Lembro que várias vezes existiam os treinos noturnos, e eu VIBRAVA COM ELES! Teve uma vez em que fizemos um treino e um deles era o seguinte: “Serão 100 “Saut de Bras”, só a subida e SEM BRARULHO! Se alguém fizesse barulho, nós iríamos fazer mais 10, e todo mundo ia fazer! Era madrugada, qualquer raspada no muro fazia um puta barulho, só quem quer ser melhor vem treinar nesses momentos. Lembro que estávamos tão alucinados com os treinos que fazíamos de propósito barulho para fazermos mais 10! Lá pelas quase 03:00 da madrugada, e eu tinha que estar no serviço as 07:00 da manhã. Estávamos treinando equilíbrio no círculo de areia na 308, iríamos fazer 50 voltas para um lado e 50 voltas para o outro lado, Sem cair! No finalzinho a maioria já morto, muitos com sono, alguns parando no meio do treino, e para os que se mantinha em pé, o lema era “faça e não reclame!”. No final só quem não perdeu o equilíbrio e não caiu fomos Eu e o Beto. Lembro que nessa época já estávamos em um nível de brutalidade foda, teve um momento nessa noite que algumas pessoas chegaram para mim e falaram: “André, vê se vc consegue falar com o Beto, ele tá muito bruto com o pessoal”. Eu parei.. Olhei, já estava quebrado e já no final do treino, ainda concentrado, falei  no extinto: “Sim, e daí? Quem não aguenta sai”. Não tinha desculpa, tem que fazer, então tem que fazer, e só.

Uma coisa que muitos iniciantes não entendem, não gostam, desistem, reclamam, é justamente isso: “Pô, se já tem um jeito fácil de fazer, para que sofrer tanto? Para que treinar tanto?”. É justamente para você dar valor aos treinos, se conhecer, batalhar e ralar por você mesmo até conseguir chegar por seus próprios méritos. Com isso você desenvolve e caleja seu espírito, você não desiste por qualquer coisa. Você aprende a cair, levantar, e seguir em frente. Você sempre vai tentar ir além do que seu corpo consegue.

Ser forte não é ter só força física, ser rápido, fazer tudo. Ser forte é você apanhar, cair, levantar, apanhar, cair, levantar de novo e continuar aguentando. Até  um nível tal, onde não vai ser qualquer coisa que vai te derrubar.

Muitos falam que Parkour é para qualquer um, mas NÃO É! Parkour é para quem está disposto a ralar, sentir dor, cansaço tanto físico quanto mental , é para quem consegue desenvolver um espírito lutador, quem está disposto a sofrer para atingir um objetivo. Parkour está disponível para todos que querem, MAS os que querem devem se transformar ou desenvolver essas e outras “qualidades” . De aguentar a dor, ralar, ralar, ralar, não desistir e etc… e isso é possível! Conheci muitos que nunca tiveram alguns dessas qualidades que desenvolveram com o treino, incentivo e perseverança.

Atualmente temos a consciência de que contra-balanceando a exigência dos treinos e a disciplina, com as limitações das pessoas conseguimos equilibrar e  desenvolver qualquer pessoa que se identifique. Até mesmo algumas (não todas) que inicialmente não durariam muito tempo no “sistema antigo ” que ainda é pelo menos para mim, o que funciona! Infelizmente com o tempo que tenho, e as vivências que tivemos, MUITOS  ficaram, ficam e vão ficar pelo caminho.

Parkour não é para qualquer um! Parkour é  para TODOS, todos que estão dispostos a se tornarem mais fortes.

Quero parabenizar e dizer que o trabalho sério, bem feito, com espírito forte e fiel as origens do Parkour. Como os grande que tive a oportunidade de aprender, sempre se desenvolvendo aprimorando suas as técnicas com os melhores do mundo. Como foi a vinda do Erwan (Método Natual/MovNat) e do Thomas Coeutdic aqui para o Brasil que foi uma das melhores experiências que já tive, e aprendi muito. Esse trabalho dá frutos e se perpetua. Por mais que, de 30 que iniciem e reste apenas 1, esse único que durou leva o legado para frente. Um exemplo disso é um cara que se tornou um dos melhores atualmente, grande  Maurício! Lembro a primeira vez que vi o cara, depois do treino pesado, estávamos quebrados e faltavam 100 landings, terminamos os 50 primeiros, o Beto falou para dar um intervalo, assim que nós sentamos o Maurício que estava iniciando chegou para o Beto e perguntou: “Cara, eu posso terminar os outros 50 agora? É que eu tenho que ir para casa”. O Beto falou que sim e  o cara voltou a fazer os outros 50 como se fossem os primeiros! Eu olhei pro Beto e ele falou: “Caralho véi!”, Eu fiquei impressionado também, e na mesma hora eu pensei: “o cara tem fibra, se ele continuar treinando assim, vai ficar monstro ” Dito e feito! Hoje o cara tá mandando muito bem. Quem inicia certo, termina certo!

Por mais que eu não mantenha contato, eu continuo, sempre treinando, saltando por aí, e ajudando os que querem iniciar a treinar, do mesmo jeito que me ajudaram quando iniciei.

Os “PODKAST COM K” estão ótimos e de parabéns.

PARABÉNS BETO !!! PARABÉNS A TODOS QUE CONTINUAM COM ESSE TRABALHO !!! Parabéns ao “DECIMADOMURO”, “PULO DO GATO”,  “PKMAX”, “Geração Tracer” “Movimente” e tantos outros que continuam com esse trabalho.

Grande abraço

FORÇA SEMPRE!

The Path of Least Resistance

5 mai

Um dos melhores vídeos sobre parkour que já assisti, todos deveriam ver.

Infelizmente só em ingles :(

blah

Parkour Generations – Academy 2010

13 jan

Um bom exemplo de treino de Parkour,video feito pelo nosso companheiro de podcast Bruno Rachacuca do PKMax Parkour, que em sua estadia em Londres vem fazendo um belo trabalho junto a Parkour Generations.

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Uh, Parkour!