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Melhorando a imagem do Tracer

8 jul

Lembro de um texto, aqui no decimadomuro mesmo, em que o Alberto comentava sobre a agressividade que há na imagem do tracer, já que andamos um tanto desarrumados/sujos/suados, sendo essa tal “agressividade visual” um dos fatores que geram preconceito quanto a prática.

É evidente que essa agressividade é algo inerente da cena do PK, e não
devemos nos preocupar em mudar isso, pois essa é nossa identidade que
vem se formando com o passar do tempo, mas certas atitudes colaboram
para que possamos ser mais facilmente aceitos pela sociedade. Vejo que
devemos adotar tais atitudes que acabam para “contrabalancear” os
fatores que chocam as pessoas.

Lembro de certa vez que li uma história sobre um homem idoso, que
procurava um lugar para se sentar e assistir os Jogos Olímpicos na
antiga Grécia. Tentando passar por várias alas, os outros gregos riam
dele, e alguns apenas o ignoravam, desprezando sua condição física. Ao
chegar a área onde estavam sentados os Espartanos, todos os espartanos
ficaram de pé e ofereceram seus lugares. O estádio passou a aplaudir a
iniciativa. Todos ali sabiam o que era correto fazer, mas apenas os
espartanos fizeram o certo.

Agora meu irmão, lembra daquela senhora de 60 anos, que pegou o mesmo
ônibus lotado que você estava (depois de um treino super cansativo)?
Lembra que ela foi a viajem inteira em pé do seu lado, enquanto você
curtia um som e reclamava após 1.000 landings? Lembra que você e todo
os que estavam sentados fingiram que ela não existia?
É assim que acabamos perdendo ótimas oportunidades
Pense, se “ser e durar” é um lema, a condição de “idoso ainda ativo”
nada mais é que um premio, merecendo todo tipo de reverência.

135 anos de Hébert

27 abr

A 135 anos nascia Jean Bouin Georges Hébert (27 de Abril de 1875 em Paris – 02 de agosto de 1957 em Tourgéville) foi um educador francês pioneiro, teórico e professor. Criador de um método natural de educação física, fortemente ligado ao curso de obstáculo, e antagônico a ginástica e especialização esportiva.

Entrou na Marinha em 1893. Antes da Primeira Guerra Mundial, Hébert foi postado na cidade de St. Pierre na Martinica. Em 1902 a cidade foi vítima de uma catastrófica erupção vulcânica e Hebert heroicamente coordenou a evacuação e resgate de cerca de sete centenas de pessoas com esse desastre. Esta experiência teve um profundo efeito sobre ele, e reforçou sua crença de que a habilidade atlética deve ser combinado com coragem e altruísmo.

Vem viagem , Hébert ficou impressionado com o desenvolvimento físico e as habilidades de movimento dos povos nativos, na África e em outros países: “Seus corpos eram esplêndidos, flexíveis, ágeis, habilidosos, duráveis, resistentes e ainda não tiveram nenhum tutor em ginástica, mas outros as suas vidas na Natureza.” Ainda no mar, Hébert começou a sistematizar um método de formação de cultura física padronizada sobre as habilidades dos povos indígenas que havia encontrado.

Após seu retorno à França, como primeiro-tenente, tornou-se diretor de exercícios físicos na Marinha em 1910. Em 1913 foi nomeado diretor técnico Faculdade de Reims, onde começou a definir os princípios de seu sistema próprio de educação física e criar aparelhos e exercícios para ensinar o seu “Método Natural” de acordo com a esquemática que ele observou na África, e inspirado pelas representações clássicas do corpo humano nas estátuas greco-romanas e os ideais da ginásios gregos antigos. Rejeitou a esclerose da ginástica corretiva e do método popular sueco de cultura física, que lhe parecia incapaz de desenvolver o corpo humano harmoniosamente e incapaz de preparar seus alunos com os requisitos “moral” da vida, centrando-se em competição e performance (o esporte competitivo), assim desviando a educação física de sua capacidade de promover sadios valores morais.

Ele definiu esporte como “qualquer tipo de exercício ou atividade física para a realização de performance e cujo desempenho depende principalmente da idéia de luta contra um elemento definido, a distância, o perigo, animal, [...] um adversário e, por extensão, contra si mesmo.”

Posteriormente, foi promovido a comandante da Legião de Honra.

Mesmo após tanta informação veiculada aqui no decimadomuro.com nunca é demais lembrar que seu Método Natural e suas idéias pessoais (retorno à natureza, a importância do sol, das atividades ao ar livre, da nudez “controlada” e a crítica à especialização esportiva), constituem um amplo conjunto de idéias sobre educação do corpo, nos tocando sensivelmente na presente e contínua evolução do do Parkour. Idéias que mudam o mundo.

Abraço! Bons Treinos!

Movimente-se

25 abr

O Parkour, algo que não se pode simplesmente explicar, é necessário viver por um certo tempo para realmente entender o que significa esse nome. Pegue várias “definições” do parkour e junte em um pequeno texto, como:

Intenso treinamento para uso utilitário, adaptável a qualquer

indivíduo, obstáculo ou ambiente, em percurso onde se corta caminho

entre dois pontos da forma mais rápida, fluida e segura possível,

visando a auto-preservação e o altruísmo . Valendo-se apenas do

próprio corpo como ferramenta, por meio do alto nível de controle

físico e mental, que surge pela interação entre corpo e mente de forma

livre. Sendo tal controle a essência e o objetivo do treinamento.

Pode até ter ficado interessante, mas ainda assim não explica o que realmente é o Parkour de forma completa. Pois somos uma nova geração!

Não somos os Provos da Alemanha, nem os Hippies dos anos 60. Somos Tracers, espalhados pelo mundo inteiro! Mesmo que o mais antigo de nós esteja beirando os 40 anos, o que acreditamos é lógico e claro desde quando o homem surgiu na terra. Uma lógica super inerente da essência humana, seja em seu estado natural ou social, seja pelo enfoque das pulsões de vida e de morte como Freud escreveu, seja pelo aprendizado na experiência própria de Rousseau, seja pela não-agressão de Gandhi, ou seja na história do bom samaritano de Jesus. Não importa a cultura, a religião, ou a etnia, todo tracer evolui de forma comum, como humano!

Como evoluímos, e aceitamos viver o “Ser e durar” + “Ser forte para ser útil”, agora temos novas responsabilidades. Responsabilidades ligadas a sociedade, com o altruísmo, a preservação, etc. Seguindo esse pensamento, por sermos os seres fortes, não somos apenas indivíduos em um ambiente, somos os responsáveis por mudar as situações com as quais não nos conformamos.

Entenda tudo que eu disse como um conselho, para todos e para mim!

Uma verdadeira apologia aos Parkour e a evolução. Por que está parado? Mudar o mundo depende de você!

MOVIMENTE-SE!

Abraço!

Adestramento Espartano

7 abr

Por maior que fosse o fanatismo e a supressão da liberdade, ainda
assim tenho um grande interesse na cultura de Esparta e seu
método educacional chamado de “Agogê”.

A palavra Agogê significa “adestramento”, “treinamento”. Seu objetivo
maior era formar o soldado-cidadão perfeito. A vida em Esparta serviu
claramente como inspiração no estudo pedagógico feito por Rousseau em
seu “Método de Educação Natural”. Esse entendimento pedagógico formou
as bases pelas quais Georges Hébert construiu seu Método Natural de
Educação Física, em seus três aspectos (físico, viril e moral).

A visão de Rousseau sobre auto-educação pela experiência própria é
evidente na primeira fase da educação espartana, quando dos 7 aos 12
anos, o menino era enviado para participar de uma espécie de bando que
era criado ao ar livre onde terminavam padecendo sob um regime de
permanente escassez alimentar, desenvolvendo a astúcia e o engenho
para conseguir uma ração suplementar. Tal “adestramento” é muito
similar ao que hoje é feito entre os regimentos especiais de combate
contra-insurgente ou dos batalhões da floresta exatamente pela
influencia do MN no treinamento militar.

Nessa cultura antiga, era admitida aos pequenos soldados a caça e o
furto (roubo imperceptível para a vítima e geralmente sem violência)
como artifícios válidos na formação das suas crianças e dos seus
jovens. Mas se pegos durante o roubo, recebiam castigos
violentíssimos. Não pelo roubo, mas simplesmente por terem sido pegos.
Em lugar de proteger os pés com calçados, as crianças eram obrigadas a
andar descalças, a fim de aumentar a resistência dos pés. Elas usavam
apenas um tipo de roupa o ano inteiro, para que aprendessem a suportar
as oscilações de frio e calor. Uma vez por ano, os meninos eram
chicoteados em público, diante de um altar, numa espécie de concurso
público de resistência à dor.

Para não serem castigados (o que era impossível), e para poderem
sobreviver fora da cidade, o cuidado, a estratégia e o silêncio eram
seus aliados. Observando esses fatos, que em parte inspiraram Rousseau
e Georges Hébert, notamos que a dedicação a uma intensa disciplina
física, na antiguidade não era uma opção, era o que separava os vivos
(fortes) dos que morreriam!

Se esforce e treine sempre como se fosse a ultima vez. E dure
para treinar amanhã!