Pause
9 abr
Um pico. Um tracer.
Ele respira! Observa! Em teu campo de visão está o espaço, e suas interferências a serem vencidas.
Ele espera. Concentra-se. Seus olhos focam um único ponto, enquanto na mente, o vazio e o silêncio ecoam. E quando tomado por um ímpeto de reação, ele…
[Pause]
Pronto! Esse é o momento! O perfeito momento que precede o parkour. Ali, um milésimo de segundo antes da execução do percurso proposto, como se fosse uma corrente invisível, está a energia em seu fluxo. Como o trilho de uma locomotiva. Uma locomotiva de carne e osso, cheia de força, continuidade e explosão.
Para que serve a locomotiva se não para a se locomover? Para que serve o tracer se não para executar, criar, reinventar e seguir seu caminho sem interrupção. É isso que somos! Um tracer para “tracejar” o caminho, solucionando-o.
Se você treina há algum tempo, você já sentiu essa sensação quase mística em seu corpo, quando passa a transpor uma série de obstáculos. Quando uma pequena falha ou interferência dificulta a fluência ou até mesmo impede a continuidade, e seu corpo o soluciona, ajustando-se instintivamente, seguindo ou salvando-se.Esse é nosso corpo e toda a força potencial que nele está presente, numa interação contínua com o espaço, a qual chamamos de parkour.
Pois o que é o espaço sem o tracer se não apenas um espaço qualquer, exercendo sua função social, seja uma praça cheia de transeuntes inadimplentes que se julgam pessoas de bem, ou um prédio abandonado, “impregnado” de seres abandonadas pelo sistema, portando-se como zumbis, possuidores de uma mente dilacerada pelo crack.
É aí que está uma magnífica marca de beleza no que fazemos. Nós estamos em todos os lugares, amplificando a função dos locais e das coisas. Um bloco de meio-fio não é um obstáculo, mas nós o equiparamos a mais perfeita trave de equilíbrio que recebeu todos os holofotes e fleches nos jogos olímpicos. Para nós, o galho em que fizemos nosso primeiro laché não deveria ser cortado, pois tinha muito mais valor que o travessão que movimentou a loteria esportiva por definir o ganhador e o perdedor da final do campeonato.
Aonde eu quero chegar?
Você lembra que paramos no ponto onde tratávamos do “vazio” e do “silêncio” que “ecoam” na mente e que de fato estão presentes antes da execução devido à necessidade de concentração? Fora desse momento, eles não são justificáveis. Não compactue com a alienação.
Desenvolva e nunca suprima sua capacidade contemplativa.
Espero tê-los feito refletir um pouco a respeito da frequentemente esquecida abrangência da atividade que compartilhamos, já que escrevi todas essas pequenas considerações apenas seguindo o fluxo do primeiro parágrafo.
O passado e o futuro não existem, e tudo está num milésimo de segundo.
Podemos soltar o pause…












Comentários