Archive | julho, 2011

Workshop – Decimadomuro – Academia Tracer

26 jul

www.tracer.com.br

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Eu estarei dando um pequeno Workshop de Parkour na sexta-feira as 19:30 na academia Tracer, em São Paulo (clique aqui para mais informações). O Treino vai ser um misto de como eram os treinos no inicio do Parkour em Brasília, mais voltados para o físico e bastante repetição e movimentação. Para quem não treina e tem curiosidade de ter um primeiro contato, é uma excelente chance para fazer uma aula experimental na primeira academia de Parkour do nosso país.

Para quem já treina é uma boa oportunidade de rever os amigos e encontrar a galera toda, conto com a presença de todo mundo!

Quando e onde?

Sexta Feira, 29 Julho, 19:30
R. Cardeal Arcoverde, 2210
– Pinheiros – São Paulo, SP
E-mail: academia@parkour.com.br
Telefone: (11) 4119-5544

Um pouco de minha experiência “na gringa”.

22 jul

Meca.

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Já faz um ano desde o inicio de minha jornada ao Reino Unido. Me lembro muito bem de todo o esforço e planejamento que fiz até chegado o dia tão esperando, em que eu iria finalmente sair para descobrir “a gringa” . A principio eu almejava muito conhecer gente mais experiente e poder aprender com todos eles, principalmente sobre ensinar e passar adiante a disciplina, esse era meu foco. Mas apesar de todo esse meu anseio em aprender eu também esperava ter a oportunidade de compartilhar com alguém um pouco do que eu já tinha como bagagem dentro da atividade. Não vou descrever aqui tudo que vivi lá, mas quero compartilhar um pouco da minha visão sobre oque se esperar de uma viagem ao exterior visando o crescimento no Parkour.

Ao todo foram 6 meses de muitas descobertas, passando por Reino Unido, Espanha e França, mas talvez a coisa mais valiosa que eu tenha descoberto, eu já carregava dentro de mim desde antes. Mas oque você quer dizer com isso Pedro? Bom, é simples, eu percebi que ás vezes não é necessário ir tão longe para encontrar o que realmente importa. Não digo que me arrependi ou mesmo que se tivesse a oportunidade de voltar no tempo eu não faria tudo igual, pois acredito que toda experiência pode ser valida, de uma forma ou de outra. Teria feito tudo igual, mas talvez com uma visão e uma expectativa um pouco diferente.

Quando cheguei a Londres, fui logo de cara conhecer o pessoal da Parkour Generations, e encontrei gente com um nível técnico e físico muito bom, assim como boas pessoas que me receberam muito bem, fui muito bem tratado. Me lembro que foi um tempo de muito treino, suor e calos na mão. Meu nível técnico e físico rapidamente cresceu. Eu estava treinando quase todos os dias, estava empolgado de estar em um ambiente novo, com pessoas novas, tudo novo. Mas hoje vejo que aquilo que realmente me fez evoluir nesse período não foi o fato de eu estar com PKGEN, tampouco os picos de Londres. Na verdade em Brasília já tínhamos o mesmo conhecimento sobre treinos, picos bons, uma mentalidade boa, e pessoas fantásticas. O que realmente me fez evoluir nesse período foi eu mesmo, eu estava ali sem pensar em mais nada, só para o Parkour, e claro, em um ambiente que não deixava de me favorecer. Era impossível então que eu não sentisse uma evolução rápida . Posso dizer que nesses 6 meses de experiência, talvez oque eu tenha aprendido sobre um treino de Parkour não passe de 10% de tudo que eu somei de novo na minha bagagem. Talvez oque me trazia mais alegria e me permitia evoluir em uma maneira tão rápida, era o fato de eu estar ali compartilhando das mesmas ideias e espirito com gente de tão longe, de diferentes culturas, e saber que poderiam estar aprendendo algo com você ao mesmo tempo em que você estaria aprendendo com eles.

Nessa viagem conheci gente que ia desde aspirantes até celébres e renomados do mundo do Parkour, sejam eles nativos da região ou mesmo gente que vem das mais variadas partes do mundo para treinar. Gente forte que salta distante, outros que nem tanto. Gente que se comunica mais através do movimento que com a boca, outros que são melhores em discursar a idéia de saltar que fazer um salto. Gente que gira, outros que não giram, gente que gira só um pouco. Gente sábia e experiente, gente nova buscando um espaço, gente buscando apenas um pouco de exercício físico e novas amizades, gente engraçada que se faz rir, outros que preferem a seriedade e rigidez. Mas ao final, todos esses tipos em um mesmo ambiente compartilhando da mesma prática buscando evoluir.

Eu também sempre mantinha uma vontade grande de vir a Europa e conhecer um pouco sobre as raízes da disciplina, estar com aqueles que começaram todo esse movimento, que hoje já se alastra por todo o mundo. E foi isso que fiz, depois de uma rápida passagem pela Espanha (Relatei um pouco dessa viagem no meu blog pessoal) fui direto a Paris para encontrar com o pessoal do Yamakasi e conhecer um pouco dessa galera que me inspirou bastante no meu inicio. Era estranho estar ali ao lado de gente que você tinha a impressão que já conhecia tão bem, mas se da conta que na verdade que vocês não se conhecem ainda. Me lembro muito bem quando vi Yann Hnautra(um dos Yamakasi da velha-guarda) em Evry, e fui falar com ele como se ele fosse já um antigo amigo de treino. Ou mesmo estar jantando com colegas depois de um treino e se dar conta que são pessoas que foram grandes responsáveis pelo inicio do movimento em todo o mundo, gente que revolucionou. O que quero dizer com isso, é que nesses momentos eu percebi que o valor estava apenas em estar ali compartilhando um pouco de mim com uma outra pessoa, independente de quem essa pessoa fosse. Também posso dizer que foi importante para mim conhecer toda essa gente e perceber o lado humano de cada um deles, isso me fez observar um pouco mais a mim mesmo e o meu potencial como praticante de Parkour e como pessoa também, coisa que vez ou outra esquecemos de fazer.

Durante esse tempo que estive experienciando e vivendo o Parkour de forma intensa, eu pensei muito em sobre todos meus amigos no Brasil e sobre todo o cenário brasileiro no geral, isso me fez perceber que ganhava muito mais do que eu já imaginava estando na minha cidade, com meus amigos de treino. Percebi que tudo que eu já havia vivido até então na viagem, eu poderia viver sem mesmo sair da cidade ou mesmo do bairro onde moro. É claro que eu recomendo viajar ao exterior a todos aqueles que queiram evoluir e viver novas experiências dentro do Parkour, mas antes disso recomendo fazer isso no seu próprio ‘’quintal’’. Você pode descobrir coisas tão incríveis quando descobriria estando em um outro país, distante de casa.

Hoje depois desse tempo todo, muitas coisas mudaram, tenho uma vida bem diferente (é claro que eu treino Parkour regularmente).Tudo que eu esperava para depois que eu voltasse de viagem, não está acontecendo, mas por outro lado, estão acontecendo outras coisas tão boas quanto as que eu planejava que acontecesse. Percebo melhor na minha prática que a vida é uma longa jornada de aprendizado, principalmente para aqueles que buscam isso com afinco.

Existe vida além dos muros

18 jul

Existe vida além dos muros

Mudanças comportamentais são causadas por diferentes motivos, geralmente de tempos em tempos existe uma grande “onda” que influencia toda uma geração, desde a forma como se vestir até a maneira de falar. Os jovens tendem a ser os mais influenciados, pois frequentemente essa “onda” vem com uma ideia transgressora como o movimento punk, grunge ou hippie e, convenhamos que adolescentes buscam a transgressão com unhas e dentes. Entretanto, a partir dos anos 2000 essa transgressão mudou de forma e os jovens entraram numa linha de “serem puros para serem bons”, e é aí que entra o Parkour nessa história. Qualquer coisa pode influenciar no nosso comportamento, mas algumas podem modificá-lo para o resto da vida.

Quando começamos a praticar passamos a olhar o mundo de outra forma, é o momento da descoberta. Todo o meio à nossa volta muda, a arquitetura que antes tinha valor apenas estético/histórico passa a ser objeto de exploração.  Obstáculos tornam-se atrativos e os olhos brilham só de olhar para um simples corrimão. Esse primeiro momento tende a vir com uma busca por um estilo de vida mais saudável. Não são poucos os relatos de tracers que mudaram completamente as suas vidas por causa do Parkour, desde aqueles que pararam de beber, até os que pararam de fumar ou de comer carne. Os exemplos são muitos e de tipos bem variados. Essa busca por um equilíbrio entre corpo e mente gera tracers mais conscientes de si e do meio a sua volta.

Buscar clareza de sentidos, equilíbrio e força é extremamente importante nesse processo de descoberta, mas é fundamental que isso não vire uma obsessão e não entremos numa bolha, pois existe vida além dos muros e o Parkour pode até ser “uma forma de salvação”, mas não é a única. É bom lembrar que cada um tem o seu processo, que não necessariamente é o mais bonito ou saudável, mas que mesmo assim deve ser respeitado. Somos fruto daquilo que fazemos, dizemos e sentimos e no Parkour não é diferente. A forma como você se relaciona com a prática é a forma como a prática se relaciona com você.

Espero que essas mudanças que o Parkour vem causando perdurem e tornem-nos menos sedentários; ajudem-nos a enxergar o mundo sem tanto medo — fato que não vamos salvá-lo (pessoalmente não sei se algo um dia conseguirá essa proeza, sou pessimista demais para crer nisso), mas nada nos impede de tentar tonar as pessoas um pouco melhores para ele. Que essa “onda” torne-se um tsunami. Evoé!

O que te faz pular?

13 jul

O que te faz pular?

Tem aproximadamente dois anos que vou pelo menos uma vez por mês a um lugar onde eu sempre treino perto da minha casa. Desde que diminui meu ritmo de treinos perdi a coragem de fazer um Saut de Bras/Cat leap que sempre fiz com muita facilidade, inclusive quando “descobrimos” este salto eu fui o primeiro a fazer com muita confiança e sangue no olho.

Nesses dois últimos anos eu praticamente perdi a coragem para fazer esse salto, nunca tinha aquela vontade de fazer, nada me fazia pular daquele muro. O salto era de um muro para o outro no mesmo nível, nada de complicado, nada de difícil nisso. Eu simplesmente não me senti apto a fazer.

Enquanto eu parava para analisar o salto eu via minha mão escorregando do outro lado. Conseguia até sentir os cortes nos dedos causados pelas pedrinhas do muro chapiscado. Imaginava que era pesado demais para aquela parede, e que provavelmente o muro ia ceder quando eu segurasse do outro lado. Eu pendurava, balançava e testava tudo. Tentava me assegurar de era seguro e que não me machucaria. Pensava em todas as possibilidades de falha do salto, tudo que poderia dar errado, eu estava com medo.

Comecei fazendo de uma lateral poucos centímetros mais perto do que o salto que eu verdadeiramente queria fazer, mas nada disso funcionava. Passei quase dois anos com esse medo e pensando que não tinha motivos para fazer o salto, não valia o risco.

Nesse domingo fui ao parque com um amigo e acabamos treinando alguns saut de bras em outro ponto, então fomos para o salto que eu tinha tanto medo de fazer. Ficamos lá pensando e conversando. Então coloquei a meta de que faria aquele salto de novo em um mês. Voltaria aos meus treinos regulares, recuperaria minha confiança e faria. Ele riu de mim e disse “achei que faria hoje”.

Ficamos por volta de 30 minutos discutindo sobre o salto e os motivos que eu achava que não conseguiria faze-lo. Depois de muito conversar ele decidiu que tentaria. Fiquei feliz por ele tomar essa iniciativa e disse que provavelmente tentaria se ele tentasse. Eu não achava que ele iria tentar.

Fui lá para baixo ficar aparando a queda para caso acabasse dando errado. Ficamos lá um bom tempo e eu bem confiante de que ele não tentaria, e eu iria pra casa engolindo minha vergonha e meu medo, eu estava virando um bundão. No momento eu não estava racionalizando comigo mesmo o motivo de não querer fazer, eu só achava que iria me machucar.

Quando menos esperava, o Wendely saltou e a mão dele não fixou na parede e ele deslizou. Achei que ele não fosse tentar de novo. Subiu no muro, pensou por mais alguns minutos e saltou, agora conseguindo. Ficou brincando comigo, e então eu teria que tentar o salto como combinado.

Subi para avaliar a possibilidade, fiquei rindo falando que não faria. Perguntei até como eu poderia pagar o combinado de outra forma. Fiz todas essas brincadeiras de quando não temos culhões para fazer o que prometemos. Fiz alguns testes, pulei da lateral, desci e subi. Testei o muro e fiquei parado olhando para o muro por um bom tempo. Até que parei de rir.

Parei  para pensar de verdade no salto. Em como eu fazia tantos saltos antes e agora estava com medo. Em toda atitude que sempre tive, em toda coragem e sangue no olho.  Pensei em todos os treinos que fiz nesses oito anos e na capacidade física que tenho. Pensei em todo o preparo e quantas coisas mais difíceis já tinha feito. Parei para pensar que eu não conseguiria lidar novamente comigo mesmo.  Mais difícil do que lidar com os amigos fazendo brincadeiras, com um ralado ou uma queda, é a vergonha de não ter nem tentado. Quando percebi, estava novamente decidido a fazer o salto. Só precisava considerar algumas coisas e fazer, era isso. Sequei minhas mãos que já estavam suadas na calça, e tirei a poeira do tênis.

Enquanto respirava olhava fixamente para onde minhas mãos deveriam pegar, o suor já pingava e meu coração batia acelerado. De repente como de forma inesperada eu olhei para o outro lado e vi minhas mãos chegando, assim eu pulei.

Cheguei do outro lado de forma firme, os pés cravaram no muro e as mãos também, e em menos de um segundo já estava sentado no muro sorrindo, com a mente vazia e o coração limpo. Um sentimento de emoção e conquista que eu não me proporcionava através do Parkour há muito tempo agora tomava conta de mim. Nesses últimos dois anos que vim treinando esporadicamente só para não perder algumas habilidades eu tinha esquecido como eu podia me desafiar e me sentir bem com o parkour.

O que me fez pular foi não conseguir lidar com a vergonha, com o meu ego, comigo mesmo. Saber que foi vencido por algo que não existe e que está só na sua cabeça. Ao contrário da luta que você da a cara a tapa, bate e apanha, ganha e perde, sendo que isso não depende só de você é uma coisa. Perder para você mesmo é algo que eu realmente não soube e não sei lidar. Isso é o que me empurra, é o que me faz continuar.

Conforme ficamos mais velhos o nosso medo aumenta. Cada erro pode significar uma perda maior. Um braço quebrado representa faltar no trabalho e o risco de perder o emprego. Qualquer errinho pode representar todo seu mundo indo por agua abaixo. O que me faz pular é a confiança nas minhas habilidades e no meu treino, a vontade de mostrar pra mim mesmo que sou capaz e que eu posso.

Pessoas têm motivos diferentes para fazer as coisas. Quando você está lá no alto daquele muro pronto para fazer um salto perigoso que nunca fez antes, o que te motiva? O que faz você pular?

Depois que fiz o primeiro salto, fiz várias e várias outras vezes, como se fizesse isso desde sempre, sem medo e sem preocupações. Vai entender. O Wendely sempre repetindo “quem vê você fazendo agora, não acreditaria no que eu vi”. O do vídeo obviamente não é o primeiro salto, mas é para ilustrar o dia e o momento.

Relatos sobre o Partour

12 jul

Relatos sobre o Partour

Todos certamente sabem que foi realizada a 3ª edição do Partour Brasília nos dias 23, 24 e 25 de junho. Agora poderia iniciar uma postagem que falasse sobre a programação e seus pontos positivos e negativos. Mas creio que algo assim pode ficar para depois, pois mais importante é trazer aos olhos dos praticantes os verdadeiros “presentes” que obtivemos. As verdadeiras pérolas que encontramos no encontro. Vou resumi-las em duas palavras, falar rapidamente sobre elas e aguardar uma oportunidade futura para o aprofundamento sobre cada uma separadamente.

Sinergia: Entendo que essa é a palavra que devemos buscar num encontro.

Observar uma grande quantidade de pessoas envolvidas naquilo por um ponto em comum, alinhando seus objetivos e aprendendo com o outro. Isso é simples de ser visto num encontro, e esse é o ponto máximo. Todos que estiveram no partour 2011 vão se lembrar do momento em que ascendemos uma fogueira, tomamos caldo e nos divertimos ao som do violão. Esse foi o ponto máximo que representa o encontro, pois o pico onde dedicamos 1 ano de trabalho e litros de suor se tornou palco para algo maior que a simples movimentação. Algo repleto de companheirismo e diversão. Ali sim, as vontades, objetivos e desejos estavam alinhadas no mesmo rumo! Não posso deixar de citar o pessoal de Goiânia e nossos amigos de Belém, que tornaram esse evento algo muito divertido e despretensioso.

Materialização: Chamo de “materialização” o momento em que pegamos algo não-físico e o tornamos físico, concreto, palpável, e passamos a dar valor nisso!

Quando você faz séries de algum movimento, pode contar mentalmente, ou materializar essas séries em pequenas pedras, gravetos, etc. É intrínseco da nossa cultura como tracers os “rolos” que fazemos com nossos objetos pessoais (tênis, calças, blusas ou quaisquer outras coisas). Durante o evento, os rolos ocorreram constantemente, mas em alguns momentos, esses objetos materializaram o parkour! Não eram como produto de escambo, mas objetos de respeito e honra, seja por quem usou, ou pela história que carrega. O momento culminante disso foi logo quando o evento terminou, estávamos na 214 norte rumo ao aeroporto e começamos a trocar presentes que, aparentemente, não tinham valor algum. Eram calças rasgadas, blusas de frio velhas, camisetas, etc. Nesse momento éramos 8 pessoas de 3 estados diferentes que conviveram por alguns dias sem pretensão alguma, e no ar havia uma emoção e consideração.

Indico a vocês, amigos leitores, que provem disso! Valorizem algo e treinem com um objeto. Materializem suas histórias, sua dedicação e seu suor nele! E busquem alinhar seus pensamentos objetivos com os outros. E quando encontrarem uma pessoa que mereça a honra de carregar esse objeto, promova a sinergia! Conte as histórias em que esse item o acompanhou, fale do valor que ele tem, e entregue o item nas mãos dessa pessoa! Caso receba algo, dê valor como honra a pessoa que lhe deu!

Para completar, promova a sinergia com as pessoas e materializem esse estado de espírito, não só em objetos e presentes, mas em consciência e atitude!

Entrando na Rotina

9 jul


Diferenças culturais exercem grande influência na “evolução” dos tracers. Por que tendemos a achar que orientais fazem tudo melhor? Essa resposta costuma doer no nosso brio, mas ela é bem objetiva: Determinação e rotina. Pois é, nós brasileiros, culturalmente, temos o “hábito” de ser menos objetivos, tendemos a reclamar demais e fazer de menos. Crescimento e melhora são diretamente proporcionais à sua determinação e empenho para que isso aconteça. Então, tracers geralmente se empolgam muito no início, mas, com o decorrer do tempo, querem respostas imediatas, buscando o nosso clássico jeitinho. Só que, feliz ou infelizmente, não existe um jeitinho para tudo e, quando esse jeitinho existe, com ele vem o ônus.

Qual a diferença de um tracer, para um artista circense, ou um artista marcial? Em geral, apenas a prática em si é o que os difere, mas a entrega para ser bom em qualquer uma delas tem de ser real e “total” (entendendo total como dentro dos seus limites). Assim, vemos com frequência associações dessas práticas a religiões, o que alguns enxergam como verdadeiro exagero, entretanto, se pararmos para pensar um pouco, é apenas outra forma de enxergar a religião. Não estou falando daquela fé cega e sem reflexão, mas da dedicação e seriedade com que tratamos a prática em si. Tratar a prática de forma “religiosa” não significa tratá-la como religião, mas encará-la com religiosidade. Essa percepção é delicada e, muitas vezes, passa despercebida. Importante lembrar que isso não inviabiliza a ludicidade nem o hedonismo inerentes à prática, mas os encara de outra forma.

Respeitamos o outro, o nosso espaço de treino e o nosso corpo, que é o nosso templo, afinal, não existe mente sã sem corpo são e vice versa. Assim sendo, por que vemos uma dissociação da prática disso? Porque, de um modo generalista, os jovens vêm perdendo a noção do que é respeito a si e aos outros, buscando a prática apenas como mais uma forma de se sobressair.  Assim, vemos cada vez mais tracers de final de semana, sem entender o que estão fazendo ou por que estão fazendo, pois são apenas reprodutores de uma prática vazia, sem sentido, sem responsabilidade nenhuma com seu corpo ou com o dos outros, porque, além de praticarem, muitas vezes reproduzem um conhecimento que não têm, e o que vemos é uma sucessão de lesões cada vez piores, já que estão “todos” à procura do jeitinho, da forma mais fácil.  A arte do deslocamento, aos poucos vai se perdendo, deixando de ser “arte” para cada vez mais se tornar deslocamento e, na maioria das vezes, nem isso.

O problema é que esse perfil se reflete em todos os aspectos da cidadania do povo brasileiro (se é que sabemos, o que é cidadania). Somos reclamões, pois reclamamos de tudo: Dos políticos corruptos, do preço da gasolina, da cesta básica e em contrapartida estamos sempre atrás da maneira mais simples; reclamamos tanto, mas agimos da mesma forma. E estamos fazendo isso com o Parkour, sendo que, ao não fazermos nada, estamos criando uma ausência de futuro, ou, sem percebermos, a prática está evoluindo (entendendo evoluir no seu sentido literal, como mudança), só não posso afirmar que essa evolução é para melhor ou para pior. Se existe uma solução pra isso, sugiro que deixemos essa preguiça de lado, pois nem toda rotina é ruim e, ao nos organizarmos estamos criando talvez um futuro melhor.

Esse comodismo brasileiro não surgiu do nada, não somos incentivados a pensar. A educação depois do golpe militar até hoje não conseguiu se reestruturar. Vivemos em um país de analfabetos funcionais, não temos criticismo e estamos ficando cada vez mais obesos. A educação esportiva no Brasil soa como piada. Lá fora você tem educação em tempo integral, as crianças são obrigadas a fazer algum esporte. E aqui? Jogam uma bola no meio da quadra (quando tem quadra) e apitam um babinha. Enfim, é obvio que o problema é muito mais profundo, mas não adianta só ficarmos confortáveis nas nossas poltronas pontuando os problemas. É hora de arregaçarmos as mangas e começarmos a resolver.


Oxente!

3 jul

Sinto um prazer muito grande quando vejo vídeos brasileiros bons e bem feitos. É importante reforçar um pouco esse patriotismo e criar ídolos nacionais para quem está vindo por ai. Somos parte de uma atividade muito nova e com poucas referências, e quem vem por ai não sabe em quem se espelhar, aonde buscar conhecimento e informação.

Freqüentemente posto e vou postar vídeos nacionais que apresentem para quem lê o blog e não conhece esses caras, quem são as referências nacionais no assunto.

Com vocês Edi.

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