Preconceito contra Parkour e Tracers?

28 mai

Quem nunca foi impedido de treinar em algum lugar? alguma área comercial? um prédio residencial? ou até foi hostilizado por alguém no meio da rua? Muita gente diz sofrer de preconceito por praticar Parkour, mas vamos entender direito isso…

Vamos aceitar, a sociedade está ai muuuuito antes da gente calçar nossos tênis e sair por ai subindo paredes, pulando dos muros, e equilibrando nos corrimãos das escadas, nós destoamos o cenário, e precisamos ter muito cuidado quando fazemos isso.

Temos o instinto de nos revoltar e berrar aos ventos que estamos no nosso direito de ir e vir, e que podemos estar ali utilizando o espaço tanto quanto as pessoas que estão apenas, nas passando – E SIM TEMOS ESSE DIREITO – mas devemos lembrar também que vivemos numa sociedade civilizada, e que nosso direito começa aonde o do outro acaba, todos temos nossas obrigações, e nossos deveres dentro dessa sociedade, e como Parkour nós somos os diferentes, então nós temos que provar que não estamos ali para fazer bagunça, e sim para nos divertir, treinar, e aproveitar o dia da nossa maneira.

Nos vestimos diferente, normalmente não estamos bem arrumados quando estamos treinando, nossas roupas estão sujas, nossas mãos quase preta, normalmente mesclando uma mistura de asfalto, poeira negra, e sangue. Nosso rosto pinga suor, estamos distante daquela correria que está acontecendo, não estamos nos preocupando com absolutamente nada além do que estamos fazendo, é como uma meditação zen-budista, um estado de espirito que encontramos através do treino, isso é o que sentimos, o que somos, mas as outras pessoas não sabem disso.

Se não tratarmos os guardas que reclamam da nossa presença com educação, seremos vistos como arruaceiros, que discutem com guardas, se não tratarmos os senhores mais velhos que vem reclamar do que estamos fazendo, seremos vistos como agressores de pessoas mais velhas, se sujarmos o lugar onde treinamos, deixando garrafas de água, papeis, sacos plásticos e embalagens  seremos visto como bagunceiros e nossa presença será sempre vista como hostil, ai sim, seremos marginalizados e existirá um preconceito contra a gente.

Temos que mostrar que somos educados, diferentes, que aceitamos críticas e que não nos perturbamos com broncas. Conversamos como adultos, e explicamos o que estamos fazendo, mudamos de local de treino se for necessário, não discutir, e não brigar deve ser uma prática comum no nosso mundo, só assim as pessoas nos respeitarão no futuro. Nosso visual durante o treino é agressivo, não demonstra poder aquisitivo, classe social, nível de escolaridade, e nem preocupação com a imagem. Somos facilmente confundidos com pichadores, usuários de drogas, e outras “tribos” que se reúnem em grupo pelo meio da rua, raramente pessoas ficam no meio da rua atoa.

Inicialmente pode não fazer diferença, mas num futuro isso se tornará o diferencial entre o Parkour, e outras atividades praticadas na rua, respeitar o próximo, com educação, e dando o devido espaço, cada um no seu lugar, cada um no seu jeito.

Respeitem as pessoas a sua volta, a gente precisa dar respeito, para receber esse respeito de volta. O Preconceito existe quando as pessoas não nos entendem, precisamos mostrar quem somos, e que não somos um problema para a sociedade moderna, e sim uma solução.

Abraços!

11 Responses to “Preconceito contra Parkour e Tracers?”

  1. Art 28. mai, 2010 at 2:08 #

    Importantissimo isso mas nunca devemos deixar de lutar pelos nossos direitos também. Abaixar a cabeça nunca, argumentar sempre.

  2. Fillipe Ramos 28. mai, 2010 at 2:25 #

    Interessante comparação do treino a meditação.. Lembro de debates sobre isso e vejo a relação direta disso ao respeito ao treino. Treinar sem ser notado, com silêncio e concentração sempre fez bem e é uma prova de que não somos arruaçeiros. Isso prova que temos objetivos!

  3. Moisés Italiano 28. mai, 2010 at 13:22 #

    Perfeito!

  4. Lauro Moraes 28. mai, 2010 at 14:14 #

    Estava pensado nessas coisas outo dia. Tenho treinado sozinho e à noite aqui na UFOP, pois é o único jeito de eu treinar… só que as pessoas que passam olham estranho, minha aparência realmente não fica das melhores, roupa velha e suja e uma touca na cabeça, sem contar q estou barbudo… rss. Os guardas da universidade arrancam o carro ou a moto sempre que me vêm de longe, acho que já estão ficando acostumados.
    Mas estava pensando em criar um tipo de panfleto explicativo simples e direto, que caiba em uma folha, com uma ou duas fotos ilustrativas. Acho que poderíamos criar algo do tipo para informar e quebrar os preconceitos não só das autoridades, mas dos leigos em geral.
    Outra coisa é o cuidar dos bens públicos e privados pelos quais passamos. A cidade é como na natureza, é nosso espaço, nosso meio. Temos que cuidar e preservar sempre. Nós nunca vamos no mato acampar e deixamos sujeira ou depredamos o local, no ciadade também não pode ser diferente! Inclusive acho que devemos atuar como vigilantes, informando às autoriades sobre irregularidades nos espaços em que visitamos. Os grupos de traceurs são um ótimo meio de revitalização e aproveitamento de diversas áreas urbanas, estamos incentivando o lúdico, o companheirismo e a saúde em praças e locais que antes não tinham visibilidade alguma.

  5. Israel 28. mai, 2010 at 14:20 #

    É muito bom ver os princípios que se desenvolveram em você com a contribuição do parkour, Alberto. Tanto que você foi capaz de escrever um texto tão bom e que eu achei tão completo. Acredito que o desenvolvimento de princípios e valores que envolvem o respeito ao próximo é o que torna algumas atividades físicas tão diferentes, e o parkour tem se mostrado, na minha opinião, a atividade física que mais gera isso em seus praticantes.
    Respeito para com pessoas, para com nosso ambiente de treino (público, na maior parte das vezes) e outras coisas é algo que deve ser não só um teatrinho que fazemos quando estamos em grupo treinando, mas deve ser algo enraizado na nossa mente em todos os aspectos da vida.

  6. Ícaro Iasbeck 29. mai, 2010 at 19:22 #

    Favoritado!
    todo mundo tem a obrigação de ler esse texto!

  7. 'Quirino 01. jun, 2010 at 17:37 #

    Maravilhosamente lindo beto! Cara parabens pelo post é umn texto incrivel e faz total sentido quanto aos valores morais da nosa pratica. Tipow a gente percebe que o Parkour pratica o BEM não pq foi imposto mas pq os que treinam demonstram isso.

    Ah gostei do comentário Lauro.

    Abraços a todos s2!

  8. Stephan 02. jun, 2010 at 20:18 #

    2 palavras: falou tudo
    Texto simples, explicaticvo e claro, em outras palavras, perfeito. ta de parabens.

  9. duddu 04. jun, 2010 at 14:47 #

    Quando eu li a palavra “sangue” no texto eu já sabia que tinha sido escrito pelo Beto!

    Extremamente bom meu rapaz!!!! Parada obrigatoria para todos!

  10. Jhondne 07. jun, 2010 at 22:59 #

    Parabéns.. Ótimas informações para uma boa prática em meio a um ambiente mais social.

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