Parkour, Mídia e Arte

3 set

Parkour, Mídia e Arte

Com os avanços tecnológicos, o advento da internet, a globalização, o mundo ficou muito mais rápido, as informações hoje são veiculadas em tempo real, qualquer coisa pode virar notícia em uma fração de segundo. Vemos cada vez mais virais aparecendo na mesma velocidade que desaparecem e, sem dúvida, o Parkour é fruto disso. Sem a internet, sem o YouTube, ele teria demorado muito mais tempo para se tornar uma “arte pop”, mas o Parkour é tão fruto desse momento quanto a Lady Gaga ou qualquer outro artista ou movimento contemporâneo em seus quinze minutos de fama.

O Parkour está vivendo seu momento na frente dos holofotes (verdade que quase em decadência). Fato é que esse momento vem durando bem mais que quinze minutos. Desde que surgiram os primeiros filmes com a prática, do mais underground até o mais pop, o que é o caso do 13º Distrito e sua sequência que caíram no gosto popular e sabidamente fez com que muitos jovens iniciassem a pratica (afinal, muitos tracers hoje conhecidos e respeitados começaram após assistir a um desses filmes). Não podemos esquecer o destaque importante que o Parkour recebeu da rainha do pop (Madona) ao fazer um clipe com um dos maiores ícones da prática, Sebatien Foucan, o que acabou por abrir um leque de visibilidade para o mundo todo.

Não são poucas as inserções do Parkour nas artes cênicas, desde o cinema (com o 13º Distrito, 13º Distrito: Ultimato, Yamakasi: Os Samurais dos Tempos Modernos, Yamakasi: Filhos Do Vento, 007: Cassino Royale) e televisão (com os seriados, The Phantom e The Misfits,) ao teatro, dança e circo.

A espetacularização dessa arte logo se tornou pública e quando falo de espetacularização falo de Parkour nu e cru. Existem muitos artistas interessados nas possibilidades cênicas dessa prática (inclusive a pessoa que vos fala).

Nas artes cênicas existe uma busca incansável pelo novo, ou pela nova forma de se fazer o velho, e nesse contexto o Parkour é uma prática corporal extremamente artística, que possui variadas possibilidades, desde ser usada como meio para um treinamento específico de um ator ou dançarino, até ser usada como fim de uma performance dos mesmos.

A partir do momento em que enxergamos o Parkour como arte ele muda completamente de forma, (aqui cabe uma ressalva, qualquer coisa pode ser entendida como arte, desde que seja tratada como tal, lembremo-nos da privada de Duchamp). Pois, não necessariamente os atores, dançarinos, etc… ARTISTAS, o utilizarão para a vida, eles podem somente ser treinados para um fim específico, sem necessariamente “aprender” os conceitos filosóficos da prática em si.

É importante lembrar que, geralmente, antes de se fazer um filme, uma peça, um clipe, etc… Por via de regra, se faz uma pesquisa “aprofundada” de todos os elementos do mesmo. Então, raramente veremos o Parkour simplesmente como um apelo estético, mesmo que pareça isso à primeira vista. Obviamente que sabemos que existem pessoas que irão investir no Parkour porque sabem que tudo o que é pop gera público e conseqüentemente gera dinheiro (só tracer não ganha dinheiro com o Parkour, mas isso é assunto para outro texto).


Nem sempre (ou não na maioria das vezes) quando vemos o Parkour em algum filme, clipe, peça, ou seja lá o que for, ele vem com uma legenda dizendo “isso aqui é, isso aqui não é”. A arte busca a melhor forma de fazer, a melhor forma de mostrar e isso tende a um hibridismo muito forte, e, possivelmente, só as pessoas que já conhecem discernirão: “isso é Parkour, isso não é Parkour”. Então, é natural que um leigo, ao assistir a “13º Distrito”, diga que Jackie Chan já fazia isso, porque ele não entende o tecnicismo da pratica, e é bom que ele não entenda. Ele precisa ser encantado e tocado, o resto é bônus. Assim como se você não for um médico, dificilmente você vai entender a techné de um seriado que fala do dia a dia de médicos e seus pacientes. Obviamente que em alguns momentos podem existir erros grotescos, que nos fazem querer matar o diretor, pois nem sempre as pesquisas são bem feitas e muita coisa pode ser distorcida.

Pessoalmente, vejo com muito bons olhos a forma como a prática vem se tornando presente em diferentes mídias, é uma possibilidade de difundi-la e torná-la respeitada. Seria uma incoerência dizer que filmes como “13º Distrito”, jogos como Mirror’s Edge, clipes como o Jump da Madona, espetáculos como os do Cirque Du Soleil não contribuíram para o crescimento da prática, melhorando também a imagem dos praticantes. Se somos fruto do meio, que o meio continue dando bons frutos.

QUE VIDEO BOM!

28 ago

PUTA MERDA, que video foda!!

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Movimento – Festival do Minuto

16 ago

Um minuto de SUCESSO!

A movimente está participando do Festival do Minuto. O festival é feito para vídeos de até um minuto de duração, que relatem sobre algum tema. No caso a movimente está do Minuto do Esporte.

- Minuto do Esporte

A idéia do vídeo é mostrar um pouco o treino, a concentração e dedicação que é necessária ao parkour. O auto-conhecimento adquirido, os momentos de tristeza e fraqueza, os momentos com os amigos, as pequenas conquistas. Tudo isso influenciando o treino do Tracer (praticante de parkour). São questões de vencer-se a cada dia, escutar-se e verificar que somos capazes de vencer nossos limites, limitações e problemas. Começamos devagar, do pequeno e podemos alçar as alturas. Basta a dedicação.

Cada centimetro, cada segundo, cada respiração… tudo isso faz a diferença.

Assistam, e votem!

Para votar é necessário criar uma conta.

Colaborem!

Visualizar vídeo – O Momento

Uma Realização: Movimente

Tracer: Rodolfo Machado
Direção Artística: Rafael Sotero e Breno Metre
Edição e filmagem: Rafael Sotero
Colaboração: Ademias Junior, Danilo Reis, Admilton Nascimento , Maurício Roboredo, Juliana Dantas, Débora Molas.

Protesto no Art of Motion

14 ago

Postei esta mensagem no facebook Parkour SP, em relação ao protesto no ART OF MOTION.

Não acho que seja o melhor lugar para postar isso, mas acho que é onde o maior numero de pessoas vão ler e ter acesso a essa mensagem, e quero que todos leiam com calma e sem emoção. Apenas leiam e reflitam.

Para os que não sabem quem sou, uma breve explicação:

Sou um dos mais antigos praticantes de Parkour deste país, se não o mais antigo(em atividade). Fui a 3a pessoa a entrar na hoje gigantesca comunidade Le Parkour Brasil, e nessa época, eu já treinava a um bom tempo. Junto com Eduardo Bittencourt, e outros dois ou três, posso ser considerado um dos primeiros praticantes desse país, se não o primeiro. Fundei a ABPK que hoje é presidida pelo Eduardo Rocha(Duddu Rocha) , e sou atual vice-presidente da associação (eleito na ultima conferencia no dia 30/7) . Em alguns meses completo 8 anos de Parkour na minha vida.

Não descordo em nenhum momento da vontade de todos vocês se manifestarem contra algo que acreditam estar errado, muito pelo contrário, sempre estimulei que os praticantes protegessem nossa arte e nossos ideais. Eu fui o primeiro dos caras chatos quanto aos ideais do Parkour nesse país, e com todo mundo para formar o ideal que temos de Parkour hoje. Eu fui o primeiro a dar a cara a tapa por dizer que mortal não faz parte do Parkour, e que Parkour não tem competição. Quem tem mais tempo de Parkour pode contar para vocês como era.

Na noite do evento Red Bull – Art of Motion, foi feita uma tentativa de protesto que mobilizou um bom numero de tracers, e um outro numero maior ainda de pessoas que não faziam a mínima ideia do que estavam fazendo. No momento eu assistia pelo livestream o evento, e só vi as pessoas subindo na estrutura no que eu achei então que fosse algo programado, alguma coisa que fosse parte do evento. Até que vi as mascaras e em meio a toda bagunça vi que tinha algo errado, mas não consegui identificar.

No final vi o Gabriel Pipolo pedindo para ninguém entrar mais e tentando fazer com que as pessoas saíssem da estrutura montada pela Red Bull para o Art of Motion, e entendi que foi uma ação que não fazia parte do evento. Mas se vocês assistirem o vídeo sem a emoção do momento, vão notar que não fez diferença nenhuma no andamento do evento para os que assistiam, foi uma ação completamente inútil, realizada da forma que foi realizada. Ninguém a não ser vocês sabem o que queriam, o que aconteceu, e muito menos o motivo de tudo aquilo.

O Evento foi primariamente realizado pela Red Bull, mas existiu um apoio massivo da comunidade Brasileira para tudo aquilo acontecer. Todos vocês ajudaram o Red Bull Art of Motion a acontecer. Quando soubemos (isso incluí TODOS os primeiros que subiram mascarados na estrutura) soubemos do acontecimento do Art of Motion, a primeira coisa que chegou para a gente foi a decisão se ajudaríamos ou não. Todos colocamos os nossos pontos, mas assumimos que ajudaríamos. Apesar de não gostarmos do formato do evento e competições, sabíamos que não poderíamos deixar o evento correr solto, sem observação de alguém da real cena do Parkour/Free Running nacional. E assim como foi, o evento teve a melhor repercussão possível, se não estivéssemos envolvidos (mesmo que alguns apenas dando opiniões), tudo seria inevitavelmente pior.

Tínhamos AMIGOS participando da competição, e sendo apoiado por nós. O comentarista do evento é uma das pessoas mais legais do Parkour de são paulo, e sem dúvida alguém que não gostaríamos de prejudicar. Um dos jurados, Jean Wainer, é um dos maiores responsáveis por todos os grandes projetos envolvendo Parkour no país, a pessoa que pelo menos nos últimos 4/5 fez vocês mais perto do sonho e dos ideais que buscam. Pensem em todos os grandes eventos de são paulo, agora pensem onde estaria a comunidade se eles nunca tivessem acontecido, A Revolução Ilabaca fez praticamente uma entrada de uma nova era, não teria sido possível.

A Manifestação, Protesto ou ação feita ontem foi tão controversa, que não consigo nem explicar abertamente o tamanho da incoerência. As mesmas pessoas que estavam venerando os competidores e os gringos, felizes para irem ao evento, treinando nas estruturas construídas para a competição. Pessoas que se inscreveram e queriam estar presente e competindo. Logo em seguida manifestando contra tudo aquilo que apoiaram. Não faz sentido.

Durante a invasão vimos um festival de acrobacias soltas, pessoas saltando pela estrutura sem propósito, e uma quantidade de atitudes que não condizem com o ideal que dizem proteger. Nada mais estranho do que ver alguém dando um “Devil Drop” para protestar contra competições no Parkour, se entende o meu ponto.

O que fizeram ontem vai sim ter impacto. A organização do evento foi questionar ao nosso amigo, porque as pessoas que estavam apoiando o evento, e até ajudaram, estavam fazendo aquela arruaça. O responsável do governo de são paulo pela Virada Esportiva também estava lá, também ficamos queimados, e podemos perder o melhor evento de Parkour que possuímos, e quem sabe todos os outros eventos com apoio do governo.

Quem vocês queriam atingir não sofreu e não vai ter nenhum reflexo da ação de vocês. Mas a comunidade brasileira de Parkour, corre o risco de perder muita coisa a partir disso. Nossos amigos que eram contratados da Red Bull foram pessoalmente cobrados pela ação de vocês. Vocês sacanearam amigos de vocês.

Não estou falando que concordo com tudo o que aconteceu, com essa associação do nome Parkour e competições, também temos os meus ideais. Mas tudo o que sempre falei, tudo o que sempre tentei fazer nesses quase 8 anos de Parkour, foi mostrar que não somos moleques. Não somos vândalos. Tentei durante todo esse tempo mostrar para o País que os praticantes de Parkour tem orgulho de serem boas pessoas. Agora vocês se igualaram aos vândalos, que fazem tudo para chamar atenção e fazer bagunça. Vestiram-se de um ideal muito bom, mas que aparentemente entendem de forma rasa todo o resto desse ideal.

Eu acho que vocês devem pedir desculpas para alguns amigos hoje.

5o Encontro Mineiro de Parkour – Fazendo História

12 ago

Todos sabemos que o encontro mineiro é famoso por nos proporcionar grandes visitas de personalidades famosas do Parkour, como Thomas ‘Des Bois’ , Blane, Vigroux, e toda essa cavalaria de peso do Parkour Mundial, pessoas com o nome mais do que fincado na história de todos que começaram a treinar a mais tempo.

Mas desta vez a equipe do PKMAX superou todas as nossas expectativas para o encontro mineiro.  Nos dias 10 e 11 de setembro o objetivo é trazer os dois nomes (dos 3 que considero) mais fortes na história do Parkour, Chau Belle Dinh e Williams Belle. Esses dois são precursores de tudo o que fazemos hoje, talvez os mais antigos praticantes ainda ativos na história da “Art du Deplacement”.

Para que isso aconteça, é necessário um apoio de toda a comunidade, para que apoie o projeto comprando uma das quotas definidas no catarse.me e colabore com o grande custo que é trazer os Yamakasi para o nosso país.

Então se você tem um trocado que pode ajudar em uma das quotas pequenas, é filho de pai rico e pode pagar um pouco mais para aumentar a probabilidade da meta ser alcançada, converse com ele e explique a importância, se é uma empresa e quer ter seu nome em um dos maiores e melhores eventos da cena de Parkour do país, está é uma grande chance. Participem!

Conheça o projeto

‘We start together, we finish together”

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I’m back!

3 ago

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Como muitos sabem, em fevereiro de 2010 me lesionei treinando. Passado alguns meses, retornei ao treino, me adaptando a lesão.

Em março de 2011 operei meu joelho esquerdo e novamente tive que parar. Foi duro se sentir incapaz e solitário por um bom tempo. Mas hoje não vim falar sobre o “cair” (deixa isso para depois), mas sobre o atual momento, parte do “levantar”!

Após o partour 2011 eu pude respirar um novo ar e investir mesmo no meu retorno. No dia 1º de julho comecei a escrever uma espécie de “diário de treino”. As 3 da manhã do dia 09, me desafiei a treinar para um desafio pessoal (um dia será revelado) e comecei séries de flexões. No dia 18, apresentando a cidade para o Isaac Pereira (Parkour Fortaleza), vi-me frente a um passe muraille na medida certa! Venci a inércia e decidi enfrentá-lo. Após algumas tentativas eu estava muito cansado e tive que parar. Por fim creio que eu e o muro ficamos empatados, pois me fixei com uma das mãos mas não pude segurar com a outra para o climb. Mas apenas essa experiência, e a resposta positiva da perna operada, foram suficientes para me animar.

No dia seguinte, marcamos de nos encontrar no Pico Amarelo (Isaac, Berrin, João e eu). Me vesti para o treino como alguém que se prepara para um verdadeiro confronto. Me lembro bem que já estava
lesionado quando comecei a freqüentar o amarelo. E ver o pessoal fazendo strades (passadas) tão facilmente me deixava emocionalmente destruído. Cheguei, me preparei, escolhi o som no mp3, e enquanto esperava os amigos, treinei! Primeiro obstáculo vencido? Aversão a treinar sozinho. Corria e fazia pequenas fluências. Primeiro lento e depois, de forma bem gradativa, mais rápido e mais alto. Estava sentindo meu corpo e constatando “no
que regular a máquina”. A fluidez de outrora não era a mesma, claro! Mas de uma forma mais “bruta”, ali estava ela. Até que veio a primeira queda!

Pernas no chão e as mãos firmes, impedindo o impacto da cabeça e tronco no solo. Ainda na posição da queda, alguns segundos de silêncio e uma breve análise: Cai de uma forma bem incomum. Lateralmente e com as pernas bem afastadas. Como se não tivesse suportado o peso daquele landing lateral que usamos nas fluências.

Constatação: Observei claramente que a cabeça está num nível e o corpo está em outro. Além da perna operada responder muito mais lento aos estímulos que recebia no passado. Mas eu estava bem, nada de torção ou dor. Continuei nas fluências, com mais cuidado e por mais algum tempo, sem problemas.

Então decidi testar a impulsão. Para isso escolhi dois saltos de dédente que fazia facilmente mesmo lesionado. Depois de uma silenciosa concentração veio a execução de cada uma!

Constatação: Claro que a impulsão diminuiu mas esse não é o maior dos problemas. Senti que minha cabeça quer, a qualquer custo, proteger a operação. Logo, a confiança foi embora.

Depois de aproximadamente 30 minutos nisso, cansado, parei e aguardei os garotos. Quando eles chegaram eu não podia fazer nada! Sentia meu corpo retornando a um estado de nítida morbidez. Notei
isso e logo me concentrei no ritmo da música no meu mp3. Não importava como! Fosse andando, correndo ou dançando de zoeira com os amigos, eu iria me mover naquele ritmo! Não que tivesse que provar nada a ninguém, mas queria mostrar e dividir com eles parte das re-conquistas que vivenciei durante a tarde. E assim foi!

Chegada a noite, fomos para a 303 Sul e enquanto um grande grupo aproveitava o retorno do “círculo maldito” (um treino tradicional de Brasília), eu me voltava ao meu desafio pessoal das flexões. Executei 50 séries de 7 flexões por minuto, num total de 350 flexões. Sei que não é muito, mas estamos voltando e esse foi o brinde para fechar o dia 19 de julho de 2011.

Para os meus amigos leitores: A insistência e a paciência são partes integrantes da força de vontade!
Até breve!

Workshop – Decimadomuro – Academia Tracer

26 jul

www.tracer.com.br

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Eu estarei dando um pequeno Workshop de Parkour na sexta-feira as 19:30 na academia Tracer, em São Paulo (clique aqui para mais informações). O Treino vai ser um misto de como eram os treinos no inicio do Parkour em Brasília, mais voltados para o físico e bastante repetição e movimentação. Para quem não treina e tem curiosidade de ter um primeiro contato, é uma excelente chance para fazer uma aula experimental na primeira academia de Parkour do nosso país.

Para quem já treina é uma boa oportunidade de rever os amigos e encontrar a galera toda, conto com a presença de todo mundo!

Quando e onde?

Sexta Feira, 29 Julho, 19:30
R. Cardeal Arcoverde, 2210
– Pinheiros – São Paulo, SP
E-mail: academia@parkour.com.br
Telefone: (11) 4119-5544

Um pouco de minha experiência “na gringa”.

22 jul

Meca.

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Já faz um ano desde o inicio de minha jornada ao Reino Unido. Me lembro muito bem de todo o esforço e planejamento que fiz até chegado o dia tão esperando, em que eu iria finalmente sair para descobrir “a gringa” . A principio eu almejava muito conhecer gente mais experiente e poder aprender com todos eles, principalmente sobre ensinar e passar adiante a disciplina, esse era meu foco. Mas apesar de todo esse meu anseio em aprender eu também esperava ter a oportunidade de compartilhar com alguém um pouco do que eu já tinha como bagagem dentro da atividade. Não vou descrever aqui tudo que vivi lá, mas quero compartilhar um pouco da minha visão sobre oque se esperar de uma viagem ao exterior visando o crescimento no Parkour.

Ao todo foram 6 meses de muitas descobertas, passando por Reino Unido, Espanha e França, mas talvez a coisa mais valiosa que eu tenha descoberto, eu já carregava dentro de mim desde antes. Mas oque você quer dizer com isso Pedro? Bom, é simples, eu percebi que ás vezes não é necessário ir tão longe para encontrar o que realmente importa. Não digo que me arrependi ou mesmo que se tivesse a oportunidade de voltar no tempo eu não faria tudo igual, pois acredito que toda experiência pode ser valida, de uma forma ou de outra. Teria feito tudo igual, mas talvez com uma visão e uma expectativa um pouco diferente.

Quando cheguei a Londres, fui logo de cara conhecer o pessoal da Parkour Generations, e encontrei gente com um nível técnico e físico muito bom, assim como boas pessoas que me receberam muito bem, fui muito bem tratado. Me lembro que foi um tempo de muito treino, suor e calos na mão. Meu nível técnico e físico rapidamente cresceu. Eu estava treinando quase todos os dias, estava empolgado de estar em um ambiente novo, com pessoas novas, tudo novo. Mas hoje vejo que aquilo que realmente me fez evoluir nesse período não foi o fato de eu estar com PKGEN, tampouco os picos de Londres. Na verdade em Brasília já tínhamos o mesmo conhecimento sobre treinos, picos bons, uma mentalidade boa, e pessoas fantásticas. O que realmente me fez evoluir nesse período foi eu mesmo, eu estava ali sem pensar em mais nada, só para o Parkour, e claro, em um ambiente que não deixava de me favorecer. Era impossível então que eu não sentisse uma evolução rápida . Posso dizer que nesses 6 meses de experiência, talvez oque eu tenha aprendido sobre um treino de Parkour não passe de 10% de tudo que eu somei de novo na minha bagagem. Talvez oque me trazia mais alegria e me permitia evoluir em uma maneira tão rápida, era o fato de eu estar ali compartilhando das mesmas ideias e espirito com gente de tão longe, de diferentes culturas, e saber que poderiam estar aprendendo algo com você ao mesmo tempo em que você estaria aprendendo com eles.

Nessa viagem conheci gente que ia desde aspirantes até celébres e renomados do mundo do Parkour, sejam eles nativos da região ou mesmo gente que vem das mais variadas partes do mundo para treinar. Gente forte que salta distante, outros que nem tanto. Gente que se comunica mais através do movimento que com a boca, outros que são melhores em discursar a idéia de saltar que fazer um salto. Gente que gira, outros que não giram, gente que gira só um pouco. Gente sábia e experiente, gente nova buscando um espaço, gente buscando apenas um pouco de exercício físico e novas amizades, gente engraçada que se faz rir, outros que preferem a seriedade e rigidez. Mas ao final, todos esses tipos em um mesmo ambiente compartilhando da mesma prática buscando evoluir.

Eu também sempre mantinha uma vontade grande de vir a Europa e conhecer um pouco sobre as raízes da disciplina, estar com aqueles que começaram todo esse movimento, que hoje já se alastra por todo o mundo. E foi isso que fiz, depois de uma rápida passagem pela Espanha (Relatei um pouco dessa viagem no meu blog pessoal) fui direto a Paris para encontrar com o pessoal do Yamakasi e conhecer um pouco dessa galera que me inspirou bastante no meu inicio. Era estranho estar ali ao lado de gente que você tinha a impressão que já conhecia tão bem, mas se da conta que na verdade que vocês não se conhecem ainda. Me lembro muito bem quando vi Yann Hnautra(um dos Yamakasi da velha-guarda) em Evry, e fui falar com ele como se ele fosse já um antigo amigo de treino. Ou mesmo estar jantando com colegas depois de um treino e se dar conta que são pessoas que foram grandes responsáveis pelo inicio do movimento em todo o mundo, gente que revolucionou. O que quero dizer com isso, é que nesses momentos eu percebi que o valor estava apenas em estar ali compartilhando um pouco de mim com uma outra pessoa, independente de quem essa pessoa fosse. Também posso dizer que foi importante para mim conhecer toda essa gente e perceber o lado humano de cada um deles, isso me fez observar um pouco mais a mim mesmo e o meu potencial como praticante de Parkour e como pessoa também, coisa que vez ou outra esquecemos de fazer.

Durante esse tempo que estive experienciando e vivendo o Parkour de forma intensa, eu pensei muito em sobre todos meus amigos no Brasil e sobre todo o cenário brasileiro no geral, isso me fez perceber que ganhava muito mais do que eu já imaginava estando na minha cidade, com meus amigos de treino. Percebi que tudo que eu já havia vivido até então na viagem, eu poderia viver sem mesmo sair da cidade ou mesmo do bairro onde moro. É claro que eu recomendo viajar ao exterior a todos aqueles que queiram evoluir e viver novas experiências dentro do Parkour, mas antes disso recomendo fazer isso no seu próprio ‘’quintal’’. Você pode descobrir coisas tão incríveis quando descobriria estando em um outro país, distante de casa.

Hoje depois desse tempo todo, muitas coisas mudaram, tenho uma vida bem diferente (é claro que eu treino Parkour regularmente).Tudo que eu esperava para depois que eu voltasse de viagem, não está acontecendo, mas por outro lado, estão acontecendo outras coisas tão boas quanto as que eu planejava que acontecesse. Percebo melhor na minha prática que a vida é uma longa jornada de aprendizado, principalmente para aqueles que buscam isso com afinco.

Existe vida além dos muros

18 jul

Existe vida além dos muros

Mudanças comportamentais são causadas por diferentes motivos, geralmente de tempos em tempos existe uma grande “onda” que influencia toda uma geração, desde a forma como se vestir até a maneira de falar. Os jovens tendem a ser os mais influenciados, pois frequentemente essa “onda” vem com uma ideia transgressora como o movimento punk, grunge ou hippie e, convenhamos que adolescentes buscam a transgressão com unhas e dentes. Entretanto, a partir dos anos 2000 essa transgressão mudou de forma e os jovens entraram numa linha de “serem puros para serem bons”, e é aí que entra o Parkour nessa história. Qualquer coisa pode influenciar no nosso comportamento, mas algumas podem modificá-lo para o resto da vida.

Quando começamos a praticar passamos a olhar o mundo de outra forma, é o momento da descoberta. Todo o meio à nossa volta muda, a arquitetura que antes tinha valor apenas estético/histórico passa a ser objeto de exploração.  Obstáculos tornam-se atrativos e os olhos brilham só de olhar para um simples corrimão. Esse primeiro momento tende a vir com uma busca por um estilo de vida mais saudável. Não são poucos os relatos de tracers que mudaram completamente as suas vidas por causa do Parkour, desde aqueles que pararam de beber, até os que pararam de fumar ou de comer carne. Os exemplos são muitos e de tipos bem variados. Essa busca por um equilíbrio entre corpo e mente gera tracers mais conscientes de si e do meio a sua volta.

Buscar clareza de sentidos, equilíbrio e força é extremamente importante nesse processo de descoberta, mas é fundamental que isso não vire uma obsessão e não entremos numa bolha, pois existe vida além dos muros e o Parkour pode até ser “uma forma de salvação”, mas não é a única. É bom lembrar que cada um tem o seu processo, que não necessariamente é o mais bonito ou saudável, mas que mesmo assim deve ser respeitado. Somos fruto daquilo que fazemos, dizemos e sentimos e no Parkour não é diferente. A forma como você se relaciona com a prática é a forma como a prática se relaciona com você.

Espero que essas mudanças que o Parkour vem causando perdurem e tornem-nos menos sedentários; ajudem-nos a enxergar o mundo sem tanto medo — fato que não vamos salvá-lo (pessoalmente não sei se algo um dia conseguirá essa proeza, sou pessimista demais para crer nisso), mas nada nos impede de tentar tonar as pessoas um pouco melhores para ele. Que essa “onda” torne-se um tsunami. Evoé!

O que te faz pular?

13 jul

O que te faz pular?

Tem aproximadamente dois anos que vou pelo menos uma vez por mês a um lugar onde eu sempre treino perto da minha casa. Desde que diminui meu ritmo de treinos perdi a coragem de fazer um Saut de Bras/Cat leap que sempre fiz com muita facilidade, inclusive quando “descobrimos” este salto eu fui o primeiro a fazer com muita confiança e sangue no olho.

Nesses dois últimos anos eu praticamente perdi a coragem para fazer esse salto, nunca tinha aquela vontade de fazer, nada me fazia pular daquele muro. O salto era de um muro para o outro no mesmo nível, nada de complicado, nada de difícil nisso. Eu simplesmente não me senti apto a fazer.

Enquanto eu parava para analisar o salto eu via minha mão escorregando do outro lado. Conseguia até sentir os cortes nos dedos causados pelas pedrinhas do muro chapiscado. Imaginava que era pesado demais para aquela parede, e que provavelmente o muro ia ceder quando eu segurasse do outro lado. Eu pendurava, balançava e testava tudo. Tentava me assegurar de era seguro e que não me machucaria. Pensava em todas as possibilidades de falha do salto, tudo que poderia dar errado, eu estava com medo.

Comecei fazendo de uma lateral poucos centímetros mais perto do que o salto que eu verdadeiramente queria fazer, mas nada disso funcionava. Passei quase dois anos com esse medo e pensando que não tinha motivos para fazer o salto, não valia o risco.

Nesse domingo fui ao parque com um amigo e acabamos treinando alguns saut de bras em outro ponto, então fomos para o salto que eu tinha tanto medo de fazer. Ficamos lá pensando e conversando. Então coloquei a meta de que faria aquele salto de novo em um mês. Voltaria aos meus treinos regulares, recuperaria minha confiança e faria. Ele riu de mim e disse “achei que faria hoje”.

Ficamos por volta de 30 minutos discutindo sobre o salto e os motivos que eu achava que não conseguiria faze-lo. Depois de muito conversar ele decidiu que tentaria. Fiquei feliz por ele tomar essa iniciativa e disse que provavelmente tentaria se ele tentasse. Eu não achava que ele iria tentar.

Fui lá para baixo ficar aparando a queda para caso acabasse dando errado. Ficamos lá um bom tempo e eu bem confiante de que ele não tentaria, e eu iria pra casa engolindo minha vergonha e meu medo, eu estava virando um bundão. No momento eu não estava racionalizando comigo mesmo o motivo de não querer fazer, eu só achava que iria me machucar.

Quando menos esperava, o Wendely saltou e a mão dele não fixou na parede e ele deslizou. Achei que ele não fosse tentar de novo. Subiu no muro, pensou por mais alguns minutos e saltou, agora conseguindo. Ficou brincando comigo, e então eu teria que tentar o salto como combinado.

Subi para avaliar a possibilidade, fiquei rindo falando que não faria. Perguntei até como eu poderia pagar o combinado de outra forma. Fiz todas essas brincadeiras de quando não temos culhões para fazer o que prometemos. Fiz alguns testes, pulei da lateral, desci e subi. Testei o muro e fiquei parado olhando para o muro por um bom tempo. Até que parei de rir.

Parei  para pensar de verdade no salto. Em como eu fazia tantos saltos antes e agora estava com medo. Em toda atitude que sempre tive, em toda coragem e sangue no olho.  Pensei em todos os treinos que fiz nesses oito anos e na capacidade física que tenho. Pensei em todo o preparo e quantas coisas mais difíceis já tinha feito. Parei para pensar que eu não conseguiria lidar novamente comigo mesmo.  Mais difícil do que lidar com os amigos fazendo brincadeiras, com um ralado ou uma queda, é a vergonha de não ter nem tentado. Quando percebi, estava novamente decidido a fazer o salto. Só precisava considerar algumas coisas e fazer, era isso. Sequei minhas mãos que já estavam suadas na calça, e tirei a poeira do tênis.

Enquanto respirava olhava fixamente para onde minhas mãos deveriam pegar, o suor já pingava e meu coração batia acelerado. De repente como de forma inesperada eu olhei para o outro lado e vi minhas mãos chegando, assim eu pulei.

Cheguei do outro lado de forma firme, os pés cravaram no muro e as mãos também, e em menos de um segundo já estava sentado no muro sorrindo, com a mente vazia e o coração limpo. Um sentimento de emoção e conquista que eu não me proporcionava através do Parkour há muito tempo agora tomava conta de mim. Nesses últimos dois anos que vim treinando esporadicamente só para não perder algumas habilidades eu tinha esquecido como eu podia me desafiar e me sentir bem com o parkour.

O que me fez pular foi não conseguir lidar com a vergonha, com o meu ego, comigo mesmo. Saber que foi vencido por algo que não existe e que está só na sua cabeça. Ao contrário da luta que você da a cara a tapa, bate e apanha, ganha e perde, sendo que isso não depende só de você é uma coisa. Perder para você mesmo é algo que eu realmente não soube e não sei lidar. Isso é o que me empurra, é o que me faz continuar.

Conforme ficamos mais velhos o nosso medo aumenta. Cada erro pode significar uma perda maior. Um braço quebrado representa faltar no trabalho e o risco de perder o emprego. Qualquer errinho pode representar todo seu mundo indo por agua abaixo. O que me faz pular é a confiança nas minhas habilidades e no meu treino, a vontade de mostrar pra mim mesmo que sou capaz e que eu posso.

Pessoas têm motivos diferentes para fazer as coisas. Quando você está lá no alto daquele muro pronto para fazer um salto perigoso que nunca fez antes, o que te motiva? O que faz você pular?

Depois que fiz o primeiro salto, fiz várias e várias outras vezes, como se fizesse isso desde sempre, sem medo e sem preocupações. Vai entender. O Wendely sempre repetindo “quem vê você fazendo agora, não acreditaria no que eu vi”. O do vídeo obviamente não é o primeiro salto, mas é para ilustrar o dia e o momento.